sábado, 5 de janeiro de 2008

Charlie Wilson's War - Jogos De Poder (2007)

Malha De Influências

"Charlie Wilson's War" relata uma história mirabolante, baseada em factos verídicos: nos anos 80, Charlie Wilson (um congressista texano algo decadente) une-se a uma socialite absolutamente anti-comunista, que o influencia a angariar fundos para armar os guerrilheiros afegãos. Objectivo? Impedir a invasão das tropas russas naquele país. Entretanto, alia-se à dupla um experiente agente da CIA, com alargados conhecimentos. Juntas, estas três personalidades irão mover-se entre as mais altas patentes e serão responsáveis por uma das mais secretas investidas militares de que há memória, tentando proteger ao máximo o bom nome dos EUA. O filme, realizado pelo veterano Mike Nichols, tem um ritmo que prende a atenção do espectador e mescla, com perspicácia, a comédia sarcástica com alguma melancolia. É uma sátira política bastante carismática que, com inteligência, permite diferentes leituras: quem for a favor da política externa norte-americana, verá Charlie Wilson como um homem comum e patriótico que atingiu grandes feitos, mas que não recebeu suficientes apoios para continuar a sua nobre missão; quem estiver do lado oposto, poderá olhar para Charlie como um manipulador nato, uma personalidade tacanha e hipócrita que agiu a favor dos interesses do seu próprio país, que conseguiu mobilizar um povo para uma meta específica, tudo para depois deixá-lo de fora da estratégia política da terra do Tio Sam. "Charlie Wilson's War" observa este painel com um olhar cómico, mas no final percebemos que o que atravessa realmente o filme é a tristeza e a desilusão, sentimentos que não são estranhos à cena política. Outro dos grandes trunfos do filme é o seu fabuloso elenco, que veste as suas personagens com grande atitude: Tom Hanks, Julia Roberts e Phillip Seymour Hoffman são simplesmente excelentes na composição dos três astutos "conspiradores" e a química entre eles funciona às mil maravilhas. Quanto à realização, podemos contar com a elegância do costume. O pior mesmo é o título português, que corrompe o sarcasmo do original. Uma bela surpresa que gera o diálogo e que marca, desde já, este 2008!


Classificação: 4/5

4 comentários:

gonn1000 disse...

Esperava um pouco mais, dos actores só o Hanks é que tem um desempenho mais memorável, e a sua personagem também me parece a única minimamente tridimensional. O argumento não surpreende muito, e durante boa parte do tempo é até bastante repetitivo. Ficam alguns bons diálogos e críticas inteligentes num filme interessante mas longe de obrigatório.

Cataclismo Cerebral disse...

Achei os desempenhos adequados, pois representaram bem a leveza com que aquelas pessoas encararam todo aquele panorama. Não achei o filme repetitivo e confesso que o facto de ser baseado numa história verídica prendeu-me ainda mais a atenção. Acho que é uma obra inteligente e subtil, mas também de uma grande tristeza. A fusão entre a comédia e a política resulta eficazmente, sem cair nos meandros da pura (e dura) crítica. Pode não ser obrigatório, mas não deixa de ser uma proposta a ter em conta ;)

Abraço

Rui Luís Lima disse...

Mike Nichols depois do desastre do filme "De que Planeta és tu?" está em recuperação constante, este filme é a prova disso mesmo.
abraço cinéfilo

Cataclismo Cerebral disse...

É mesmo Rui. Closer e a série Angels In America são grandes triunfos. E este não fica atrás!

Abraço