sábado, 4 de agosto de 2007

The Village - A Vila (2004)

O Amor iluminará o caminho...

Sem dúvida uma das pérolas desta década! Depois de surpreender meio-mundo com o emblemático The Sixth Sense e de ter prosseguido na sua caminhada de obtenção de respeito crítico e comercial com The Signs e Unbreakable, M. Night Shyamalan voltou à acção para nos brindar com uma fabulosa parábola lírica sobre as profundezas do medo colectivo, a obsessão securitária dos dias de hoje e a (im)possibilidade de retorno a uma espécie de pureza original. Perante tamanha riqueza temática, o realizador encontra ainda uma brecha para lançar um discreto piscar de olho à Alegoria da Caverna, de Platão.

O filme gira em torno de uma pequena vila da Pensilvânia, em 1897. Nessa comunidade supostamente idílica (reminiscente dos Quakers e Amish), os indivíduos relacionam-se de forma cordial e pacífica, cumprindo à risca todas as regras ditadas pelos governantes. Mas nem tudo é perfeito: é sabido que na periferia residem monstros que, de tempos a tempos, atacam os habitantes e deixam marcas vermelhas assinaladas nas portas. Essas marcas são como que ameaças de morte, indicativas de que toda a precaução se torna fundamental. Para além das rígidas regras da vila (onde, por exemplo, se estabelece a proibição do uso da cor vermelha e da transgressão do espaço social definido), somos convidados a conhecer alguns dos seus residentes, como é o aso de Ivy (uma rapariga cega, filha de um dos líderes), o introvertido Lucius Hunt (o grande amor de Ivy) e o mentalmente desequilibrado Noah Percy. Quando Lucius ousa desafiar as convenções sociais para descobrir o que existe para lá da vila, o futuro de toda aquela gente poderá estar ameaçado...

Se esta não é a melhor crítica à era da administração Bush, à mentalidade americana contemporânea (ávida de um isolamento auto-imposto e da mais completa alienação) e à cultura do medo do "outro", então estamos lá perto! Shyamalan constrói uma narrativa fascinante, utópica e subtil sobre a paranóia (e as múltiplas feridas) do pós-11 de Setembro e a errática política externa dos EUA. Todo o filme é uma metáfora que espelha com exactidão a realidade presente nas terras do Tio Sam. Vejamos: naquela vila, a inocência anda de mãos dadas com a ignorância; todas as leis são acatadas pelos habitantes sem que estes tenham grande hipótese de resposta; quem contraria as imposições e o pensamento generalizado torna-se automaticamente um perigo que deve ser controlado; enfim, o que importa, única e exclusivamente, é aquela área delimitada e os seus ocupantes.

Contando com interpretações maravilhosas (excelentes Bryce Dallas Howard, Sigourney Weaver, Joaquin Phoenix e Adrien Brody), uma banda sonora envolvente e uma fotografia linda e singela, The Village acaba por ser não o filme de terror ou de suspense que todos pensávamos que seria, mas sim um genuíno drama romântico (onde o romance é ingénuo e desesperado, mas completamente arrebatador). O filme foi mal recebido nos EUA (porque será?), mas a Europa fez-lhe justiça, acolhendo-o e interpretando-o como deve ser. De facto, The Village dá muito que pensar, motiva algumas conversas bem interessantes e é, na minha opinião, o melhor filme do realizador indiano até à data!



Classificação: 5/5

13 comentários:

Cataclismo Cerebral disse...

O filme estreia este Domingo, na SIC.

Carlos Pereira disse...

Venero cada filme de Shyamalan até à data (vi todos). Talvez Lady in the Water seja o meu favorito, mas são todos tão absolutamente perfeitos que é uma escolha difícil. A par de Tarantino e de Aronofsky, é a meu ver o grande realizador da sua geração.

Quanto a 'A Vila', concordo contigo no que respeita à referência de Platão e da sua alegoria da caverna. A ignorância e o medo de olhar não são apenas temas que Shyamalan filma na perfeição. São também conceitos-chave que este usa como crítica ao mundo actual, de forma deliciosa e subtil. É dos realizadores mais preocupados e atentos ao seu mundo, e isso é essencial na construção do seu cinema.

Knoxville disse...

Vi-o recentemente (não faz hoje mais de duas ou três semanas) e gostei bastante. Não o considero o melhor de Shyamalan, mas é gigantesco. Um dia destes, também dou a minha opinião um pouco mais elaborada!

Um abraço Cataclismo!

Pedro Duarte disse...

Hmmm nunca tinha visto este filme sob esse prima... De facto, agora percebo porque é que foi a partir daqui que os críticos começaram a dar na carola no Night...

Grande filme sim. A beleza da fotografia é demais, assim como a de Bryce Dallas (e o seu talento claro)

Pedro Duarte disse...

(não sei de perto de ti existem as tais lojas Daily Price... encontram-se verdadeiras pérolas a preço da chuva)

Cataclismo Cerebral disse...

Carlos: Perfeitamente de acordo ;)

Knoxville: Quero ler isso então :)

Pedro: Infelizmente foi. Agora desvalorizam o seu talento. É isso, o filme é de uma enorme beleza (lá está a tal vertente romântica) e a Bryce é um anjo iluminado. Essas lojas não conheço mas tenho de averiguar!

Abraços!

Betty Coltrane disse...

Então depois de ver o filme podemos passar às conversas! ;P

Gonçalo Trindade disse...

O melhor de Shyamalan (um dos melhores realizadores da sua geração). Um filme de uma poesia simplesmente arrebatadora. Toca tanto o coração como o cérebro.

Abraço!

Suntory Time disse...

Gostei deste filme - e da tua interpretação -, mas estou a uns passos de o considerar excelente.

Acho que Shyamalan tem talento, mas é um bocado inconstante. Por exemplo, Signs - que raio foi aquilo? E Lady In The Water, não é tão mau como os críticos disseram, mas podia ter sido muito melhor.

Para mim o melhor dele é O Sexto Sentido, mas acho sinceramente que alguém lhe devia dizer que quando os filmes têm todos um twist ending as surpresas deixam de ser surpreendentes.

Cataclismo Cerebral disse...

Olá Suntory,

Os twists, como estou sempre a dizer, não constituem o melhor de um filme, por muito surpreendentes que sejam. Acredito piamente que não se pode avaliar o todo somente pela espectacularidade do twist que apresenta. Sobre o Shyamalan abateu-se esta maldição de ter de introduzir uma surpresa em todos os seus filmes, mas a verdade é que as suas obras são espantosas para além dessa reviravolta. Quanto ao Signs, adoro-o: acho que é um meticuloso estudo sobre uma jornada de fé, completamente de admirar. O Lady in the Water ainda não tive oportunidade ver...

eadem numero mutata resurgo disse...

Em nível cinematográfico, é um bom filme. Para alguns mais redundantes, genial.Porém, ideologicamente é péssimo e vazio. Vazio como o clichê que o cerca: Antiamericano e utópico socialista. Aquela velha história: “Temos que acabar com o capitalismo, pois o socialismo-comunista é o bem maior. Temos que viver como o povo Amish.” Isto sim é um cataclisma cerebral like a Cuba de Fidel.

Cataclismo Cerebral disse...

Eadem, eu não vejo as coisas por esse prisma. Aliás, aquela comunidade/vila retratada no filme acaba por ser criticada pelo próprio Shyamalan: se formos a ver, eles fugiram das cidades para escapar à violência e ao medo, no entanto acabaram por criar uma sociedade baseada nos mesmos pressupostos, tudo sem esquecer o isolamento auto-imposto. Dá para perceber que aquela utopia específica de vida em comum dificilmente resulta, tendo em conta a dimensão global dos dias que correm. Não o tenho como um filme anti-americano, mas sim como uma crítica a algumas incongruências da actual administração política na terra do tio Sam.

Abraço

日月神教-向左使 disse...

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