segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Swimming Pool (2003)


Verão Escaldante

Gosto de "Swimming Pool", o thriller de François Ozon que levou pancada de alguma crítica nacional. Acho que é uma competentíssima homenagem ao trabalho de Alfred Hitchcock e é um filme que não tem problemas em brincar habilmente com o espectador, deixando-o na incerteza sobre o que é que se trata realmente esta história. Sarah Morton é uma escritora de policiais que procura alguma inspiração para o seu novo projecto. Cansada do ambiente e da rotina em que se move, a autora decide aceitar a sugestão do seu editor e dirige-se para a casa deste, no Sul de França. Essa solarenga região parece ser o escape ideal para o descanso e reflexão que se pretende, mas a calmaria é de repente assombrada com a chegada de Julie, a insolente e perversa filha do editor. Julie é uma jovem sexualmente insinuante e sem qualquer tipo de rédeas, que irá entrar em confronto com a personalidade mais subtil e conservadora de Sarah. No entanto, e apesar de alguns atritos, estas duas mulheres tão diferentes irão fascinar-se uma pela outra e terão de unir esforços para resolver uma situação inesperada… A partir deste momento, a narrativa muda bruscamente de tom e revelar mais pormenores seria criminoso da minha parte. Devo dizer que este é daqueles filmes que vive mais às custas do desenvolvimento das personagens principais e dos ambientes do que propriamente do argumento (apesar de achar que este é muito inteligente). O que está aqui em causa é o deslindar dos traços de personalidade daquelas mulheres tão intrigantes e das situações que tendem a pô-las em antagonismo. O filme calca algum do surrealismo de David Lynch e tenta colocar-se no campo do suspense (com direito a twist e tudo), mas no final consegue surpreender mais por ser um interessante estudo de personagens, por lançar uma descomprometida visão da complexidade feminina e por apontar o dedo a alguma alienação que pode ocorrer no processo de criação. Charlotte Rampling, no papel de Sarah, é fabulosa na composição de uma mulher rígida e controlada que vê numa simples adolescente o protótipo de irreverência e liberdade que gostaria de agarrar e Ludivine Sagnier (a provocante Julie) é excelente na criação de uma Lolita ultra-provocadora com sérias carências afectivas . “Swimming Pool” troca-nos as voltas e permanece na nossa memória e por isso mesmo merece ser redescoberto!


Classificação: 4/5

8 comentários:

Betty Coltrane disse...

Soube-me bem recordar este fabuloso filme... Thanks! =)

curse of millhaven disse...

gostas mas é por causa da gaja boa!! :P

tou a brincar.

nca vi mas do que já li parece-me bastante interessante.

Maria del Sol disse...

Foi a memória das boas críticas a este filme (que não vi), que, no último IndieLisboa, me levaram a ver um péssimo filme do mesmo realizador, "Angel". E ainda me falta igualmente ver "Oito Mulheres". Já viste este último? Se sim, qual é a tua opinião sobre ele?

Beijinhos e boa semana :)

Paulo disse...

É uma obra bem catita, talvez mesmo a minha favorita do Ozon, mas sobre isso teria de pensar melhor. Seja como for, pelas duas actrizes em estado de graça (duplamente, no caso de Ludivine Sagnier :-P), vale mais do que muito.

blueminerva disse...

Já ouvi/li tanto sobre este filme... mas nunca vi. Está na lista de filmes a ver antes de morrer.
Um abraço

sonhadora disse...

Já foi a algum tempo que vi este filme... mas lembro-me que gostei da belezas das imagens da piscina, lembro-me que a certa altura do filme pensei... mas isto são imagens da realidade da personagem ou da imaginação da personagem... gostei muito deste efeito :)
Acho que foi um filme muito bem concretizado!

Kisses

Carlos Pereira disse...

É uma obra maravilhosa, que sabe mesmo contar uma história e fazê-la evoluir em tensão e intensidade. Mas o meu Ozon favorito continua a ser "O Tempo que Resta"...

Grande abraço!

p.s.: cada vez mais tenho a certeza que és o blogger com que mais me identifico, cinematograficamente falando.

Cataclismo Cerebral disse...

Betty: É mesmo um filme fabuloso, mas é tão pouco conhecido, infelizmente! Não tens que agradecer...

Curse: Também, aquela Ludivine ai ai... ;) O filme costuma passar na RTP2 e quando isso acontecer terá destaque aqui no blog.

Maria: O 8 Femmes ainda não vi, mas tenho alguma curiosidade. Mas existem outros dois filmes de Ozon que tenho a certeza que vou amar: o Sob a Areia e O Tempo que Resta. Agora só me falta apanhá-los algures :S

Paulo: Tenho de me inteirar da filmografia do realizador, acho que é um nome a ter em conta. Sim, a Ludivine vale e é muito! :)

Blueminerva: Deve ser uma boa lista essa. Se encontrares o Swimming Pool na tv dá-lhe uma oportunidade ;)

Sonhadora: O filme, parecendo que não,consegue mesmo trocar-nos as voltas. Está muito conseguido, é verdade!

Carlos: Tenho de ver O Tempo que Resta!Acho que este realizador tem muito bom caminho para palmilhar e talento parece ser coisa que não lhe falta. Faço minhas as tuas palavras: identifico-me muito com as tuas preferências cinematográficas e com a forma como as expressas.

Abraços e beijos