sábado, 20 de outubro de 2007

The Brave One - A Estranha Em Mim (2007)

A Outra Face

Há já algum tempo que um filme não me perturbava tanto quanto este "The Brave One". Saí da sala de cinema de tal forma afectado que mais parecia que tinha sido atropelado por um camião... Estamos, quanto a mim, na presença de uma das melhores obras deste ano! O filme, realizado pelo sempre excelente Neil Jordan, conta a história de Erica Bain, uma locutora de rádio que habita em Nova Iorque, a cidade que sempre amou. Tudo parece correr bem na vida desta mulher, que até está a fazer planos para se casar. Uma noite, ela e o seu noivo David decidem dar um passeio por Central Park e é aí que tudo se desmorona: o casal é violentamente atacado, ficando Erica em coma e David acabando por morrer. Após recuperar do coma, Erica lança-se numa jornada de vingança e ódio, palmilhando a sua cidade de eleição e procurando desesperadamente a redenção e a compreensão da sua nova personalidade.

"The Brave One" não pode ser comparado aos típicos filmes de "vigilantes" dos anos 70, que se resumiam a uma vingança em que o protagonista não demonstrava qualquer tipo de conflito emocional, mais parecendo um "Terminator" sem alma e sentimentos. Não, mesmo que à superfície jogue com os códigos do género, a verdade é que este é definitivamente outro campeonato. O filme debruça-se sobre o processo de transfiguração psicológica e emocional de uma mulher após um acto brutal e é precisamente o estudo da alienação de personalidade vivido por Erica que distingue "The Brave One" das outras inconsequentes películas. O filme levanta (de forma inteligente e eficaz) inúmeras problemáticas morais, mas o que realmente fascina e importa reter é a sua dedicação no aprofundamento das personagens centrais, o que faz com que os espectadores se entreguem e compreendam Erica.

Jodie Foster regressa aos papéis principais em grande estilo: a actriz é simplesmente assombrosa no retrato de uma mulher em pleno processo de mutação e introspecção psicológica que se vê obrigada a habitar com o medo, mas que ao mesmo tempo se recusa a ceder perante ele. O detective protagonizado por Terrence Howard é também ele uma personagem extremamente interessante, pois conjuga habilmente a ambiguidade moral com a ética profissional, fugindo aos estereótipos do "polícia frio e implacável". A narrativa é de uma tristeza profunda e possui fortes subtextos relativamente à determinação feminina, ao medo contemporâneo, à paranóia e solidão urbana e às mazelas provocadas pelo 11 de Setembro; de facto, a cidade de Nova Iorque constitui uma personagem fulcral nesta parábola e é filmada com a mesma frontalidade e honestidade de um "Taxi Driver". Um pequeno apontamento aos planos finais, exímios no retrato da solidão, que são embalados pela desarmante música de Sarah McLachlan, "Answer". A ver, a rever e a reflectir.


Classificação: 5/5

10 comentários:

curse of millhaven disse...

parece ser mt bom mesmo.

Knoxville disse...

De acordo com quase tudo - damos, de resto, a mesma classificação ao filme -, menos com a parte do "sempre excelente Neil Jordan": desde da obra vampiresca com Pitt e Cruise que não o via em tão boa forma. E "The Crying Game" foi uma desilusão tão grande que até custa admitir isto ;)

Um forte abraço!

Gonçalo Trindade disse...

Tenho mesmo de ver isto... a Jodie Foster nunca desaponta, e pelas críticas que este filme tem tido...

Muxaxa lili disse...

simplesmente sensacional este filme..fui ve-lo hoje..ta freskinho ;)
a musica «Answer» parte klkr um..simplesmente LINDA

bjao ;)

Carlos Pereira disse...

Ando mesmo ansioso para ver isto. Parece-me que vai ser um dos melhores do ano...

Abraço!

Betty Coltrane disse...

Hum.... não devo conseguir ir ver....
fazemos assim, qd comprares o dvd emprestas-me!! ;P

beijocas!! =)

Cataclismo Cerebral disse...

Curse: É bem fixe. Não estava à espera de tão forte impacto emocional...

Knoxville: É um grande filme. Quanto ao Crying Game já sabes que discordo de ti :P

Gonçalo: Aconselho vivamente! A Jodie Foster tem de ir para os óscar, dê por onde der...

Lili: Eu sabia que ias gostar! Aquela música, juntamente com aquele final, fizeram com que saísse do cinema doente...

Carlos: Quanto a mim é mesmo dos melhores do ano. Consegue ser extremamente intimista, com personagens de relevo.

Betty: Aconselhava-te a vê-lo em sala, porque aí tem uma dimensão assombroa; em todo o caso, se não conseguires ver já sabes que compro o DVD e que depois empresto-to ;)

Bjs e abraços

sofia disse...

fui vê-lo ontem e adorei... no inicio arrependime pq fui com uma colega que perdeu o namorado à relativamente pouco tempo, mas ela tb gostou mto. E aquela musica é completamente fantastica... bjs

Cataclismo Cerebral disse...

Deve ter sido um filme particularmente difícil de ver, nesse caso :( A música é fantasmagórica e bela...

Bjs

Marisa disse...

O filme esta excelente! adorei!!!!