domingo, 8 de julho de 2007

The Virgin Suicides - As Virgens Suicidas (2000)

O Tempo do Fascínio

Ontem consegui aguentar até tarde para rever esta obra-prima, na SIC. Tenho pena que maravilhas como estas sejam relegadas para horários que não lembram a ninguém, enquanto que inanidades ocupam as tardes de fim-de-semana... Mas enfim, o que importa aqui é saudar a beleza e perfeccionismo do trabalho de Sofia Coppola! Estamos perante uma radiografia certeira à perda da inocência, num filme que não hesita em beber nas águas da nostalgia e da melancolia. O argumento centra-se nas irmãs Lisbon, que se tornam os objectos de afeição de um grupo de rapazes "lá do bairro". O grande problema que circunda aquelas raparigas está no poder paternal: a mãe (excelente Kathleen Turner), opressiva e devota dona de casa, impõe respeito e uma moral retrógrada; o pai, mais brando, deambula sem grande contacto com as filhas e sem quaisquer rasgos de emoções. Esses comportamentos irão despoletar consequências trágicas nas suas filhas, começando aqui a narrativa a explorar (e bem) as nuances da teen angst e do way of life da época (anos 70). Quanto aos rapazes, o fascínio incontrolável que detêm pelas irmãs marcará para sempre as suas vidas e permitirá a passagem da adolescência para a fase adulta, sendo toda essa transição embebida em saudosismo... É fenomenal o que a realizadora consegue fazer nesta sua primeira obra: o argumento é simples, mas perturbador pelas ondas de emoções que provoca; a fotografia é belíssima e respeitadora do imaginário daquela altura (as cores pastéis dão a impressão de suavidade e leveza, exactamente o contrário daquilo que o filme acaba por ser); as irmãs são captadas como figuras etéreas, anjos assexuados à mercê dos "demónios" paternais; a banda sonora (a cargo dos Air), complementa o espírito do filme e da era, trazendo a sensação de tristeza e inocência ao de cima; por fim, permite que Kirsten Dunst tenha o seu melhor papel até à data, irradiando luminosidade e ternura por todos os poros. Uma primeira obra imperdível, que nos faz esquecer o trambolhão que foi "Marie Antoinette"...


Classificação: 5/5

12 comentários:

Maria del Sol disse...

Parabéns pela sinopse, quem adora o filme, como eu, revê-se totalmente nas tuas palavras :)

Só não revi o filme porque o meu apetite cinéfilo já tinha sido saciado pela pérola do Richard Linklater que deu na 2, mas se tivesse dado menos tarde não teria descartado a hipótese de matar saudades das irmãs Lisbon ;)

Pattie disse...

Um grande filme. Infelizmente, nunca mais o voltei a ver desde o dia em que fui ao cinema (infelizmente só demasiadamente tarde - ou seja, hoje de manhã - é que soube que tinha dado), mas está ainda forte na minha memória. Para além disso, já li por várias vezes o livro que, tal como o filme, é tão suave como um murro no estômago.

Betty Coltrane disse...

É maravilhoso, sem dúvida alguma!!! Este não vi, mas sabes porquê - tenho o dvd para ver quando quiser!! =))

Beijo grande!

niskas disse...

Epah, bem digo que a rtp te paga, a sic está visto que não. aceitei a sugestão da 2 e infelizmente não revi este filme, que pena... Mas pronto...ainda bem que posso pedir emprestado em dvd..:)

Zito disse...

se tivesse que escolher a bso perfeita, os Air ganhavam com a que fizeram para este maravilhoso filme ... nunca os sons e as imagens "casaram" tão bem ..... ouvir um disco e visualizar o filme é tudo que gosto numa bso e os Air conseguiram-no.

curse of millhaven disse...

soberbo...

Suntory Time disse...

Eu ia fazer um comentário qualquer, mas cheguei à última frase do post, que não me atrevo a repetir aqui, e esqueci-me do que era. Partiste-me o coração, Cataclismo.

Cataclismo Cerebral disse...

Ora muito obrigado pelo elogio Suntory ;)

Sabrina. disse...

Este é um belíssimo filme, mas para mim, com uma história não tão interessante...
Efectivamente, Kirsten Dunst só esteve tão bela como nas Virgens Suicidas em Marie Antoinette. Sofia Coppola tem uma sensibilidade estética única, e todos os seus filmes são lindíssmimos, apesar de não assentarem em histórias muito interessantes, como o Marie Antoinette.
E os Air foram, de facto, fabulosos para este filme. O casamento perfeito entre som e imagem.

Cataclismo Cerebral disse...

Acho que os filmes de Sofia Coppola têm histórias interessantes, até porque abordam temas tão complexos como a angústia existencial e a solidão. O Marie Antoinette foi um passo atrás (creio que resultou numa obra algo fútil), mas de resto não me posso quexar do trabalho da realizadora; afinal de contas, ela é responsável por um dos filmes da minha vida: Lost In Translation.
Quanto aos Air, são sempre uma escolha acertada ;)

Abraço!

Oinc Oinc disse...

Este filme merece o F maiúsculo, contudo Marie Antoinette foi uma verdadeira desilusão, louvando o guarda-roupa magnifico, apesar da ausencia de cor. Quanto a Lost in Translation, na minha sincera e modesta opinião, foi mais um filme.

Cataclismo Cerebral disse...

O Lost in Translation é mesmo um dos filmes da minha vida! O Marie Antoinette foi um monumental trambolhão e o iniciático The Virgin Suicides continua a ser uma pérola admirável...

Fica bem