quarta-feira, 21 de maio de 2008

Reservation Road - Traídos Pelo Destino (2007)

Encontro Acidental

Que tremenda decepção... Reservation Road era um dos títulos pelos quais nutria expectativas bastante elevadas. Afinal, este era o filme que tinha tudo para triunfar em absoluto: para além de adaptar o romance de John Burnham Schwartz (que participou na escrita do argumento), tinha ao seu inteiro dispor o talento de Terry George (o realizador do muito bom Hotel Rwanda) e um daqueles elencos formados no brilho do céu (Joaquin Phoenix, Jennifer Connelly, Mark Ruffalo e Mira Sorvino). Com um grau de potencial tão vasto, é estranho (para não dizer frustrante...) que o produto final seja tão insosso, banal e olvidável.

Reservation Road apresenta-se como uma tragédia familiar sobre a perda, a culpa e a complexidade da paternidade. Após um recital ao ar livre numa tarde de Verão, Ethan Learner (um professor universitário) e a sua mulher Grace dirigem-se para casa na companhia dos seus dois filhos. Ao pararem numa bomba de gasolina em Reservation Road, o pesadelo instala-se: o filho do casal é atropelado mortalmente e o culpado, numa decisão instintiva, abandona o local a alta velocidade. Consumido pela dor e pela ineficácia das forças policiais, Ethan conduz a sua própria investigação, que o poderá levar ao responsável pela morte do seu filho.

Infelizmente, nada aqui é novo. A história até arranca bem, mas cedo se percebe que as grandes questões da premissa serão exploradas de forma muito corriqueira, nunca se vislumbrando uma brisa de tentativa de originalidade. Já vimos este resultado múltiplas vezes, muitas delas até em telefilmes de qualidade duvidosa que passam a horas indecentes. O filme contém muitas cenas implausíveis e algumas coincidências no argumento soam a falso, porque facilitam demasiado os acontecimentos dramáticos. Não tenho nada contra a ocorrência de coincidências, desde que estas beneficiem a progressão da narrativa para resoluções estimulantes. Mas de facto isto não se verifica em Reservation Road.

Onde o filme bate mesmo no fundo é na sua misoginia irritante. As personagens de Connelly e Sorvino são inacreditavelmente preteridas em relação aos seus parceiros masculinos e assim sendo as actrizes têm pouco espaço para desenvolver as suas composições (especialmente Sorvino, uma das actrizes mais brilhantes de Hollywood que não tem aqui nenhum tempo de antena). Lá para o final, a intromissão do tom de thriller surge algo deslocada, porque não bate certo com os passos melodramáticos dados logo ao início. Enfim, um filme desolador e insípido com um elenco de excepção.


Classificação: 1,5/5

6 comentários:

Gooffy007 disse...

No meu comentário a este filme toquei um pouco os pontos que tu tocas aqui, fundamentalmente julgo que chega a ser irritante a falta de originalidade.

Discordo apenas, quando dizes que estamos perante um elenco de excepção, julgo mesmo que o mesmo está ao nível do resto do filme, perdido e sem inspiração, quase a fazer um frete.

uga
jp

Cataclismo Cerebral disse...

Sim, o filme consegue irritar pela sua banalidade e desperdício de valores. Atenção que quando digo 'elenco de excepção' refiro-me à qualidade dos actores e não à sua presença neste filme.

Abraço

Isabela disse...

O filme é tão ruim assim? Meu, e olha que eu tinha grandes expectativas para ele...

blueminerva disse...

Não vi... mas todas as críticas que leio são negativas, apesar do elenco de luxo.
Um grande abraço

José Quintela Soares disse...

Acontece aos melhores...

Cataclismo Cerebral disse...

Isabela: Também tinha muitas expectativas, mas o filme é mesmo mauzinho.

Blueminerva: É um grande elenco preso num mau filme que não lhes faz nenhuma justiça...

José: Pois é, ninguém está imune a estes falhanços.

Abraços