sexta-feira, 29 de junho de 2007

The Breakfast Club - O Clube (1985)

Todos diferentes... Todos iguais...

Se há filme que retrata de forma hilariante (mas também tocante) a teen angst e a vida escolar em plenos anos 80, então "The Breakfast Club" é um dos mais sérios candidatos a esse título. O realizador John Hughes nunca escondeu o fascínio que sente por esta faixa etária e o seu currículo comprova que criou obras verdadeiramente emblemáticas, que reflectem fielmente o estado de espírito daqueles que procuram o seu lugar no Mundo, sem querer copiar os padrões adultos. Neste filme de 1985, a genialidade do argumento está relacionada com a sua aparente simplicidade. Tudo se resume a um dia: 5 estudantes de um liceu americano são obrigados a cumprir uma detenção na biblioteca da escola, por mau comportamento, numa manhã de Sábado. A controlar-lhes os passos está o tirano director, que se encontra saturado da sua profissão e da rebeldia própria dos estudantes que lhe arruinam a paciência. O minimal grupo que está de castigo é constituído por personalidades muito diferentes, o que naturalmente irá gerar imensos atritos. Durante as horas de detenção haverá risos, choros, confrontos físicos e psicológicos e desabafos sentidos sobre a vida, o sexo, os esudos e as relações familiares. Mas as surpresas estão reservadas lá para o final do dia, quando todos se apercebem que se calhar as diferenças não são assim tão acentuadas e que até partilham muitos dos problemas que afectam a sua geração. Se bem que já tenham passado uns bons anos desde a sua estreia, "The Breakfast Club" continua extremamente fresco na sua recriação das problemáticas do complexo mundo estudantil e do intrincado universo adolescente. À superfície, é certo que cada personalidade corresponde a um estereótipo (temos nada mais nada menos que o Marrão, a Princesa, o Arruaceiro, o Desportista e a Excêntrica), no entanto Hughes não limita as suas esferas de acção nesses mesmo clichés e confere um tratamento humano muito respeitável às suas personagens, dando-lhes uma profundidade que é rara neste género de filmes. Estamos, de facto, longe do retrato pueril que contamina a ficção televisiva nacional sobre adolescentes ("Morangos Com Açúcar", por exemplo) e que sistematicamente os encerra em simplismos sociológicos e humanos que muitas vezes roçam o insulto. Aqui não há que recear estas "técnicas" redutoras: o filme mescla muito bem a parte cómica da situação com o lado mais dramático vivenciado por cada um daqueles jovens, proporcionando ao espectador diálogos deliciosos e pontos de vista com os quais nos podemos identificar. Sim, porque no nosso percurso escolar de certeza que fomos alguma destas personagens.


Classificação: 4,5/5

4 comentários:

João HB disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Maria del Sol disse...

Só de ler a tua descrição já tenho vontade de o ver também... Pena que nas décadas seguintes não tenha havido um bom equilíbrio entre simplicidade "teen" e profunidade na construção das personagens digna da Sétima Arte. Com antecessores como este é dificil perceber porque é que quando se faz alguma coisa para o público adolescente saem inanidades como os Morangos com Açúcar ou a saga do American Pie... depois admiram-se que eles cresçam sem aspirações intelectuais! :P

Cataclismo Cerebral disse...

João: Gosto da saga Porky's. São trashy movies, mas mto engraçados tb. Infelizmente, o realizador desses filmes faleceu há pouquíssimo tempo :(

Maria: Tens razão. O género teen anda mesmo nas ruas da amargura. Mas valha-nos o legado de filmes como o Rei dos Gazeteiros e este Breakfast Club

Abraço e bjs

Betty Coltrane disse...

Ahhh.... o Porky's.... LOL! Do que o João se foi lembrar!!! Porky's é brutal! :D


Não vi ainda este, embora esteja na minha lista.... Um beijão!