quinta-feira, 26 de julho de 2007

Death Proof - À Prova de Morte (2007)

Perigo a Alta Velocidade

Orá cá está um verdadeiro melting pot de referências: a nova empreitada de Quentin Tarantino, integrada no conceito Grindhouse, vai beber influências a obras como Duel, Terror na Auto-Estrada (o vilão enquanto personificação absoluta do mal que anda à solta), Psycho (introdução de novas personagens a meio do filme), The Vanishing Point e séries como The Dukes Of Hazard. Tarantino em modo de criador de vinhetas copistas? Infelizmente, confirma-se!

A premissa é básica: um stuntman diverte-se a perseguir e atormentar raparigas, no seu potente carro totalmente à prova de morte. O que ele não conta é com o poder feminino que a determinada altura o irá confrontar com as suas próprias brincadeiras de estrada. A vingança é doce e é servida a alta velocidade por um sexo oposto em enraivecido . Death Proof faz a devida homenagem aos célebres filmes chunga Grindhouse, aqueles que eram exibidos em cinemas de má fama, para públicos não muito exigentes e a horas pouco aconselháveis. Temos então transposto o formato dessas películas: imagem desfocada de tempos a tempos, as propositadas falhas de som, passagens de planos algo confusas e uma estética suja e super-cromática.

As interpretações das The Girls são competentes, especialmente a de Zoe Bell (uma dupla de Hollywood, que substituiu Uma Thurman nas cenas arriscadas de Kill Bill), que nos deixa boquiabertos nas action sequences . Os intermináveis diálogos à la Tarantino, que indecentemente piscam o olho à cultura pop, não podiam deixar de marcar presença. O único problema é que estão em demasia (especialmente quando comparadas com as cenas de acção) e nalgumas alturas caem na redundância. Esta condição faz com que Death Proof demore a arrancar, a mostrar de facto as suas verdadeiras guelras. A banda sonora é um mimo atípico (como também já vem sendo habitual na filmografia do realizador), mas o filme falha em arrebatar.

Formalmente bem arquitectado, Death Proof desilude no entanto ao nunca exibir o golpe de asa que caracteriza o trabalho de Tarantino. Assim, e digo isto com uma boa dose de desencanto, este projecto resume-se a um entretenimento escapista, tecnicamente competente mas sem alma, auto-indulgente e com um desenvolvimento temático quase letárgico. Quanto a Kurt Russell, que se esforça por reinventar a energia das suas personagens de outros tempos, cabe-lhe o papel de bad boy de serviço. Com uma atitude hiper-cool, o seu stuntman tão depressa é um sádico, como a seguir chora desalmadamente quando as regras do jogo se invertem. Fica a triste sensação de que se deveria ter limado algumas arestas desta personagem algo desequilibrada... Planet Terror, o segmento realizado por Robert Rodriguez, estreia em Outubro.


Classificação: 3/5

9 comentários:

JHB disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
niskas disse...

ja tinha feito alusao ao filme no meu blog, mas tu safaste sp melhor...nao teria usado outras palavras...bjo

Betty Coltrane disse...

quando vir logo falamos... =)

Francisco Mendes disse...

Precisamente o que penso e senti com o filme.

Abraço!

sonhadora disse...

Bem ainda não vi... mas só um três?!?! :( Mesmo assim vou ver ;)! bjs

Maria del Sol disse...

Só o poderei ver em dvd, dobragens espanholas manhosas estão fora de questão! :P

Cataclismo Cerebral disse...

João: Não é o que esperava, não. Mas diverti-me com aquele delírio, isso sim :)

Niskas: Obrigado linda :)

Betty: Dp confrontamos opiniões ;)

Francisco: Sim, acho que temos a mesma opinião :)

Sonhadora: Sim, mais que três não consigo dar. Mas vê o filme. Cada cabeça sua sentença ;)

Maria: Assim sendo, o DVD deve ser a melhor opção :)

Bjs e abraços

Rosa disse...

Concordo com o que dizes, no entanto penso que essas "falhas" que apontas são de certa forma propositadas tendo em conta a circunstância. Se essas arestas fossem limadas, provavelmente não se encaixava tão bem na prateleira de série B (ou Z, como preferires). Notei tudo isso, mas continuo a achar o filme muito bom. Principalmente a personagem de Stuntman Mike, incongruente, logo, mal estruturada, logo, filme rasco... Não sei, se calhar estou a elevar demasiado o génio de Tarantino, mas penso que nada foi deixado ao acaso. Todavia, é como disseste, cada cabeça sua sentença.

Cataclismo Cerebral disse...

Rosa: O meu problema com o stuntman Mike é que ele, enquanto personagem, ficou representado como um "boneco". As raparigas ainda têm alguma "profundidade" mas os desequilíbrios de Mike deixaram-me de pé atrás. Mas o filme é divertido e uma grande montanha-russa! Mais que isso é que não...

Bj