
Harvey Pekar, um neurótico com uma existência a roçar o caos, acumula relações falhadas, sobrevive numa casa em pantanas, colecciona discos antigos e tem um emprego não muito estimulante como arquivista. Entre uma e outra obsessão, Pekar decide auto-publicar uma revista de banda-desenhada chamada American Splendor, onde lhe é permitido inscrever e satirizar os malabarismos do seu quotidiano. Com a ajuda essencial do artista Robert Crumb, o homem comum da classe média americana passa assim a debruçar-se sobre as inquietações que o perseguem, a difícil conquista do amor, a formação de uma família e a sua luta contra uma doença devastadora.
Muito mais do que uma comédia offbeat sobre um eterno looser que não se importa de o ser, American Splendor é um brilhante retrato da obra e personalidade de um génio depressivo da cultura underground que encontrou na publicação das suas próprias comics a fonte de expressão artística máxima. O filme respeita inteiramente os moldes das BD's, integrando até essas especificidades na sua construção narrativa (há cenas que se deixam dominar pela estética e layout desse universo, com as personagens a surgirem desenhadas e com balões de texto a descrever o que se passa), o que resulta num delírio visual criativo.
Mas a dupla de realizadores não está interessada em traçar mais um biopic convencional de um artista alternativo, mesmo que este disponha de artifícios visuais que o distingam dos restantes. O inovador e interessante é que Shari Springer Berman e Robert Pulcini permitem que o verdadeiro Harvey Pekar faça alguns interlúdios para comentar determinadas situações ou até a performance de Paul Giamatti, que o interpreta de forma poderosa. No entanto, não é só Pekar quem brilha: também os outros visados na história têm tempo de antena para fazer as suas aparições e dizer de sua justiça.
Goste-se ou não de Pekar e do seu trabalho, a verdade é que American Splendor (um fulgurante sucesso indie que se fartou de arrecadar prémios) consegue conquistar pela sua veia criativa pululante, pela dose de comédia ácida e weird e ainda pelos seus momentos melodramáticos cativantes. É certo que a irreverência no campo formal compõe o ramalhete, mas o grande trunfo está mesmo no delicioso argumento. E no par de interpretações principais, da responsabilidade do já citado Giamatti e da subvalorizada Hope Davis.
Muito mais do que uma comédia offbeat sobre um eterno looser que não se importa de o ser, American Splendor é um brilhante retrato da obra e personalidade de um génio depressivo da cultura underground que encontrou na publicação das suas próprias comics a fonte de expressão artística máxima. O filme respeita inteiramente os moldes das BD's, integrando até essas especificidades na sua construção narrativa (há cenas que se deixam dominar pela estética e layout desse universo, com as personagens a surgirem desenhadas e com balões de texto a descrever o que se passa), o que resulta num delírio visual criativo.
Mas a dupla de realizadores não está interessada em traçar mais um biopic convencional de um artista alternativo, mesmo que este disponha de artifícios visuais que o distingam dos restantes. O inovador e interessante é que Shari Springer Berman e Robert Pulcini permitem que o verdadeiro Harvey Pekar faça alguns interlúdios para comentar determinadas situações ou até a performance de Paul Giamatti, que o interpreta de forma poderosa. No entanto, não é só Pekar quem brilha: também os outros visados na história têm tempo de antena para fazer as suas aparições e dizer de sua justiça.
Goste-se ou não de Pekar e do seu trabalho, a verdade é que American Splendor (um fulgurante sucesso indie que se fartou de arrecadar prémios) consegue conquistar pela sua veia criativa pululante, pela dose de comédia ácida e weird e ainda pelos seus momentos melodramáticos cativantes. É certo que a irreverência no campo formal compõe o ramalhete, mas o grande trunfo está mesmo no delicioso argumento. E no par de interpretações principais, da responsabilidade do já citado Giamatti e da subvalorizada Hope Davis.
Classificação: 4/5
7 comentários:
Grande filme!! Adorei quando vi!
É realmente muito original, a todos os níveis. Giamatti depois desta portentosa intepretação pouco tem a provar. :)
Este é daqueles que quero muito ver, mas acaba sempre por me escapar ;)
Abraço
Curse: Também fiquei surpreendido com a qualidade deste filme, é muito bom mesmo...
Maria: Este excelente filme foi a revelação de Giamatti enquanto actor de composição. Ele está muito bem na pele de Pekar.
Loot: Acho que este é fundamental para ti, porque és um grande apreciador de BD's. Não percas mais tempo e aluga-o!
Abraços
Não sou fã de quadrinhos e nem conhecia Harvey Pekar, mas o filme é muito legal e a interpretação de Giamatti é ótima, como sempre.
Abraço
Hugo: Também só fiquei a conhecer bem Pekar neste filme. Já tinha ouvido falar nele, mas não conhecia a fundo a sua persona. Também não sou fã de BD, mas este filme é sedutor mesmo para quem não seja apreciador.
Abraço
http://achatcialisgenerique.lo.gs/ cialis vente
http://commandercialisfer.lo.gs/ cialis generique
http://prezzocialisgenericoit.net/ cialis
http://preciocialisgenericoespana.net/ cialis generico
Postar um comentário