quinta-feira, 30 de agosto de 2007

"A Caverna", José Saramago

José Saramago sofre do mesmo problema que um Manoel de Oliveira: o seu trabalho é extremamente subvalorizado na sua pátria. Posto isto, devo confessar que estou a adorar ler este livro do nosso prémio Nobel, "A Caverna". Claro que a estrutura narrativa não é convencional, mas isso já todos sabemos. Este belo romance traça o devastador impacto das actuais economias sobre as economias mais tradicionais e actualiza o mito da caverna de Platão. Consegue ainda ser um fascinante estudo sobre uma idade avançada e já sem grande esperança e também sobre a inquietação dos estados de alma. Soberbo...

6 comentários:

Betty Coltrane disse...

ando a guardar o saramago para uma outra altura, quero apreciá-lo bem! =)

boa leitura!! :D

Francisco Mendes disse...

Tenho esta mania esquisita... só me apetece ler Saramago no Outono... :\

Boa... muito boa leitura!

daniel disse...

A única coisa interessante em Saramago é a forma. Não o conteúdo. Aliás, o conteúdo não muda, de umas obras para outras, sempre na mesma repetição enfadonha, sempre com a mensagem política como pano de fundo (e eu já nem digo nada em relação à ideologia!). Não é que o conteúdo não seja importante, só que diz aquilo que toda a gente já sabe. E se repete tantas vezes a mesma coisa deve andar a tomar-nos por parvos (veja-se a afirmação do senhor onde ele diz que Portugal devia ser anexado à Espanha). O que é original, isso sim, é a forma, porque a sua escrita é fluida como um regato veloz, como se estivesse viva. Isso sim é qualquer coisa. Isso e a sua capacidade para se outrar e tão depressa falar como quem vive no século XVIII ou no século XX. Gabe-se-lhe o seu talento de actor. Mas basta que se lhe ponha um Umberto Eco ao lado e, aí, é que se vê quem é grande. O conteúdo, a mensagem, que é afinal o que mais importa, é Umberto Eco. Por isso se lê um livro de Saramago e se fica a saber tudo sobre ele. Quanto mais se lê Umberto Eco menos se sabe, e mais se aprende.

Luís Alves disse...

não concordo com a comparação entre oliveira e saramago, uma vez que o ultimo ganhou um nóbelllllliiii, e o oliveira ganhou nienti di nienti (precisava de ganhar um oscarzinho desse género para se equiparar ao nobeliiii). Aliás saramago desde esse prémio tornou-se num dos escritores mais lidos em portugal, sendo cada obra sua um best-seller, enquanto oliveira está muito, mas muito longe mesmo dessa aceitação comercial. abraÇo cataclismo

Cataclismo Cerebral disse...

Betty: Ora fazes muito bem ;)

Francisco: E eu, para desfrutar completamente de um livro, tenho que o ler à noite... Todos temos estas manias :)

Daniel: São opiniões. Confesso que a escrita dele é um prodígio. Esta história está-me envolver muito. Independentemente das fortes mensagens políticas, que as tem,a humanidade e complexidade da personagem principal é comovente e maravilhosa.

Luís Alves: Quando os comparei foi no sentido de que ambos não são valorizados em Portugal. Sei que os livros de Saramago se vendem bem, mas sinceramente,quase todas as pessoas com quem falo acerca deste autor recorrem à expressão "seca", o que me leva a crer que muitos provavelmente apenas compram os livros porque fica bem (?!?). Duvido que se entreguem ao prazer da leitura, duvido mesmo... É a minha opinião e daí ter comparado o escritor e o cineasta.

Bj e abraços

curse of millhaven disse...

eu cá sou uma inculta e ainda não conheço saramago. tenho cá para casa o envangelho segundo jesus cristo e há alguns aninhos tentei ler e obviamente n consegui. acho que se lesse hoje talvez conseguisse uma perspectiva diferente.

não consigo é simpatizar com a personagem do homem e mais as suas profecias da desgraça.