sábado, 8 de dezembro de 2007

Fim-de-Semana...



- "The Pledge - A Promessa" (2001) e "The Great Dictator - O Grande Ditador" (1940) são exibidos esta noite, na Sessão Dupla da RTP2, perto das 22h50. O primeiro filme é realizado por Sean Penn e a história centra-se num polícia reformado (Jack Nicholson) que se dedica à caça de um assassino de uma criança; o segundo é escrito, realizado e interpretado pelo genial Charles Chaplin e trata-se de uma estrondosa sátira à Alemanha Nazi, em que um pobretanas é confundido com um ditador;

- "The Portrait Of A Lady - Retrato de uma Senhora" (1996) é um filme de Jane Campion (O Piano) que narra as desventuras de uma jovem herdeira americana que se torna alvo de um plano maquiavélico. O elenco é de luxo: Nicole Kidman, John Malkovich, Viggo Mortensen, Christian Bale e Mary Louise-Parker, entre outros. Para ver no canal FOX, Domingo, quando rondar as 17h00.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Desaparecida em Combate: Sherilyn Fenn


Sherilyn Fenn: Dona de uma beleza distinta e reminiscente das estrelas da Old Hollywood; uma excelente actriz que se perdeu no tempo e que certa vez David Lynch definiu como sendo "Five feet of heaven in a ponytail".

Vimo-la... Sexy e intrigante no papel de Audrey Horne em "Twin Peaks", que a catapultou definitivamente para a fama. Depois disso destacam-se as breve participações em "Wild at Heart" e "Of Mice and Men" (realizado por Gary Sinise). As coisas começaram a correr menos bem depois do fracasso comercial e crítico de "Boxing Helena", filme realizado pela filha de Lynch. A partir desse momento, Sherilyn optou por edificar uma carreira como actriz de telefilmes e séries.

Actualmente... Sherilyn continua com aparições esporádicas em séries e a trilhar o caminho dos telefilmes banais.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Retratos de Solidão



- "Notes On a Scandal - Diário de um Escândalo" (2006): Esta é a história de uma professora de meia-idade com sérias dificuldades em estabelecer laços sociais e afectivos. A sua intrincada personalidade leva a que fique obcecada por uma colega de trabalho com alguns segredos perturbadores. Embora este seja principalmente um conto sobre a obsessão, o tema da solidão contemporânea surge de forma muito subtil e triste. Com Judi Dench e Cate Blanchett;

- "The Hours - As Horas" (2002): Excelente crónica sobre a complexidade da alma feminina! "The Hours" debruça-se sobre a escritora Virgina Woolf e outras duas mulheres que se sentem profundamente inspiradas pela sua obra. As três encontram-se separadas no tempo, mas inacreditavelmente partilham rumos idênticos no que diz respeito à dor e à tragédia. A solidão aparece aqui como um inquietante estado de alma, apesar das três personagens principais estarem constantemente rodeadas de amigos e familiares. Com Meryl Streep, Nicole Kidman e Julianne Moore.

- "Lost In Translation - O Amor é um Lugar Estranho" (2003): A obra-prima de Sofia Coppola deve ser dos melhores exemplos deste tema. Este monumento minimalista à contemplação e à angústia existencial consegue entrelaçar eficazmente a comédia burlesca e a suave melancolia com a profunda solidão que teima em inquietar Bob e Charlotte (isto apesar deles se encontrarem nessa gigantesca capital que é Tóquio). Um filme de pequenos gestos e de grandes emoções... Com Bill Murray e Scarlett Johansson.

O Melhor e o Pior*: Irmãos Wachowski

























O Melhor: Bound - Sem Limites (1996)

O Pior: The Matrix (1999-2003)


* Para esta escolha esteve em jogo não só a Realização como também os diversos argumentos escritos pela dupla...

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Deliverance - Fim-de-Semana Alucinante (1972)

Que bem que se está no Campo...

Para escapar ao stress da vida citadina, quatro amigos com personalidades bem distintas decidem fazer canoagem num rio da Georgia, rio esse que está prestes a sofrer algumas alterações estruturais. O fim-de-semana é a altura indicada para todos deixarem o trabalho de lado, para fugirem um pouco à extenuante vida familiar e se dedicarem a algum ócio. As paisagens do local escolhido são belíssimas (se bem que extremamente selvagens) e tudo parece ser desafiante e prometedor. O grande problema é que alguns elementos da população local, perante a estranheza que aquele grupo de amigos lhes provoca, decidem seguir impiedosamente os recém-chegados. A abordagem começa como um jogo de provocações, onde se atestam todas as diferenças culturais e de personalidade, mas logo a situação descamba para ataques selváticos e chocantes em que o "grupo citadino" tudo terá de fazer para sobreviver! "Deliverance", um filme realizado por John Boorman nos idos de 72, continua a ser um objecto cinematográfico fresco e visceral, que encena o conflito cultural entre o rural e o urbano, assunto esse que estava na ordem do dia na altura em que o filme foi lançado. O argumento está milimetricamente construído e traz à memória algumas das questões levantadas pelo livro de William Golding, "O Deus das Moscas": como reage um grupo a um cenário que lhe é completamente desconhecido e que o coloca em situações de grande intensidade emocional e física?; como gerir a natureza humana e a alienação num contexto desregrado?; quem assume a liderança e quem se deixa liderar (e porquê)?. ... "Deliverance" prima por ser um verdadeiro marco do cinema dos anos 70 que ousou em jogar com assuntos da agenda política da altura. É uma experiência intensa, de nervo, que sobreviveu ao teste do tempo e que contém algumas cenas que ficaram vincadas na cultura popular, nomeadamente aquela em que a frase "I'm gonna make you squeal like a pig!" é proferida. Esta cena continua a ser completamente aterrorizante e um bom exemplo do quão transgressor foi o filme na sua época. Jon Voight, Burt Reynolds, Ned Beatty e Ronny Cox dão interpretações sentidas e recheadas de nuances, reclamando toda a nossa atenção e colocando-nos em conflito com os nossos próprios padrões morais. Actualmente são poucos os thrillers que conjugam tanta inteligência, minimalismo e visceralidade. Nomeado para 3 Óscar.


Classificação: 4,5/5

Próxima Compra: "As Intermitências da Morte", José Saramago

Sinopse: "«No dia seguinte ninguém morreu». Assim começa este romance que fala da agitação e alegria provocadas num país imaginário pela decisão da Morte de abandonar a sua actividade".
in Círculo de Leitores

(Esta sinopse faz-me sempre lembrar o episódio do "Family Guy" em que a Morte se encontra inactiva devido a um acidente).

sábado, 1 de dezembro de 2007

Eastern Promises - Promessas Perigosas (2007)

Longe Do Paraíso

Custa-me dizer isto, mas cá vai: "Eastern Promises" é a maior desilusão cinematográfica que tive este ano, até este momento. David Cronenberg é um realizador que sempre admirei pela sua capacidade de focar eximiamente o tema da dilaceração física e psicológica nas suas personagens atípicas. Mas em "Eastern Promises" não tive a sensação de perturbação e provocação de outrora (nem mesmo de grandes rasgos de criatividade). Pode até ser uma obra de contornos negros que tenta arriscar, mas inexplicavelmente o filme acaba por cair no terreno mais convencional. A história situa-se na Londres dos dias de hoje e gira em torno de Anna, uma parteira que socorre uma jovem de Leste em grave estado clínico. Infelizmente a jovem acaba por falecer, mas o seu bebé sobrevive e é então aí que Anna decide investigar o paradeiro da família da rapariga, recorrendo a um diário que esta trazia consigo. Ao querer traduzir os conteúdos do tal diário, Anna coloca-se em risco e acaba por ser conduzida a uma das mais influentes famílias da máfia de Leste a operar na capital e ao seu enigmático motorista Nikolai. Digamos que o filme tem pontos de partida bem intrigantes (as relações humanas em contextos de extrema violência, os códigos de honra e ética do submundo, o passado que teima em atormentar,…), mas não envolvem o espectador por aí além e conduzem a algumas situações mal resolvidas e a conclusões não muito interessantes (e a um final muito apressado e atabalhoado). Viggo Mortensen eclipsa tudo e todos com o seu Nikolai e só pela prestação dele já vale a pena o visionamento do filme. O pior está mesmo reservado para a inconsequente personagem Anna (Naomi Watts), que desencadeia os acontecimentos mas que não tem espaço nem tempo suficientes para ser devidamente desenvolvida. É pena, pois Naomi Watts é das mais esplendorosas actrizes da actualidade, mas aqui está claramente sub-aproveitada. No entanto, tenho de fazer justiça às interpretações de Vincent Cassel e Armin Mueller-Stahl, repletas de ambiguidade e servindo de excelente suporte à personagem de Viggo, embora não cheguem para salvar o filme dos seus desequilíbrios. As cenas-choque são também de se lhe tirar o chapéu, uma vez que primam pelo realismo e crueza e denotam a vontade do realizador em ir mais além nestes termos. Péssima é a narração, que é sem sombra de dúvida a pior que alguma vez vi/ouvi num filme: é um exercício de auto-comiseração involuntariamente cómico, ao qual nem sequer falta a música do “coitadinho” como pano de fundo. Tudo o que é relatado é triste e deveria emocionar-nos, mas não é isso que acontece; a forma como a história é contada anula inteiramente o envolvimento do espectador e abafa a frontalidade que se exigia (e que teria produzido o efeito desejado). Contas feitas, “Eastern Promises” deixa uma enorme sensação de vazio, de alguma banalidade emocional (aquele romance incipiente não me convence) e de falhanço na originalidade, apesar de ter uma premissa sugestiva e um elenco carismático.


Classificação: 2/5