Uma Ama à beira de um ataque de nervos...
Depois do sucesso crítico alcançado com o excelente "American Splendor", a dupla Shari Springer Berman e Robert Pulcini atirou-se de cabeça para um projecto de cariz adolescente, que mistura desequilibradamente a comédia satírica com o melodrama light. A base foi a obra de Emma McLaughlin e Nicola Kraus e o resultado é "The Nanny Diaries", que apresenta uma Scarlett Johansson fresca e dinâmica decidida a provar que consegue demonstrar o seu talento em vários registos. A actriz interpreta Annie Braddock, uma recém-licenciada apaixonada por antropologia que aceita um trabalho como baby-sitter para uma família abastada da implacável sociedade nova-iorquina (família que ela deliciosamente denomina de "X's"). Inicialmente, Annie assume o seu trabalho como um estudo científico, que lhe permite analisar pessoas, rituais e ambientes. Mas ao ser conquistada pelo petiz aos seus cuidados, Annie deixa-se absorver pelo seu exigente cargo, permitindo os mais variados abusos por parte do Casal "X". "The Nanny Diaries" surge na senda do famoso "O Diabo Veste Prada", sendo quase uma cópia desse fraco filme. Vejamos as semelhanças: rapariga culta e desempoeirada consegue emprego num meio supostamente glamouroso, radicalmente diferente do seu ambiente natural. Enquanto sua as estopinhas para cumprir as suas funções, atura uma patroa tirânica e egocêntrica e vai perdendo contacto com familiares e amigos. Tiro e queda! Mas mesmo assim, faço justiça a "The Nanny Diaries" por possuir um charme próprio que nos conquista sem estarmos à espera. O filme começa muito bem, com soluções criativas originais que apelam aos terrenos da fábula. O aplicar da observação antropológica ao universo cosmopolita da protagonista então é um achado certeiro. É pena é que essa criatividade não dure muito tempo, pois à medida que a narrativa se desenrola o encanto vai-se esfumando. O filme sabe que está a andar sobre clichés e o curioso é que parece não se querer importar com esse facto. Aliado a isto está a indecisão na escolha do tom: não se percebe bem se o objectivo é ser uma sátira ou um melodrama. Para sátira falta-lhe acidez; para melodrama não é muito inventivo (chegando até a ser lamechas). Contas feitas, fica-se com um filme doce e modesto, que contém algumas boas cenas, a entrega jovial de Johansson e uma bela homenagem à eterna rainha das amas: Mary Poppins. Mas esperava-se mais do par que nos deu "American Splendor"...
Classificação: 2/5