sexta-feira, 9 de maio de 2008

The Beach - A Praia (1999)

Às Portas do Paraíso

Richard é um aventureiro por natureza, que pretende passar um tempo de qualidade na Tailândia. Este backpacker americano, cuja filosofia de vida se orienta pelo hedonismo e pela exploração, dá de caras com um lunático toxicodependente que lhe disserta sobre uma praia paradisíaca ainda no segredo dos deuses. Quando o mapa desse local idílico chega às mãos de Richard, este decide convencer um simpático casal de franceses a embarcar numa viagem de exploração com ele. Munidos de poucos bens materiais, os três jovens atiram-se à aventura e descobrem a estância balnear dos seus sonhos, onde uma comunidade peace and love auto-suficiente reside em condições muito rudimentares, mas também aparentemente harmoniosas. Acontece que o Paraíso não tarda a apresentar o outro lado da moeda, e Richard e os amigos cedo chegam à conclusão que aquela perfeição geográfica apresenta máculas internas muito perigosas.

The Beach é uma adaptação do livro de culto de Alex Garland, e foi uma aposta pessoal de Leonardo DiCaprio no período pós-Titanic. Atrás das câmaras esteve Danny Boyle, o homem que assinou um dos títulos mais emblemáticos dos anos 90: Trainspotting. A produção de The Beach esteve envolta em polémica desde o início: o trabalho da equipa de filmagens levou a que se efectuassem algumas alterações estruturais nos locais onde o filme foi rodado e simultaneamente ergueram-se as vozes de alguns detractores que afirmavam que este seria um projecto de vaidade por parte de DiCaprio, como forma de inverter a imagem romântica amplamente disseminada por Titanic.

Polémicas à parte, ainda estou para compreender o porquê de tanto asco em relação ao filme, quer por parte do público, quer por parte da crítica especializada. É verdade que há aqui algumas falhas, sobretudo ao nível da estrutura formal, que deveria ter sido equacionada com maior seriedade e evitado algumas ressonâncias pop mais corriqueiras. Mas fora isto, e sem ser transcendente, o saldo de The Beach é francamente positivo. Trata-se de um objecto de cinema muito estimável, bem filmado e que apela ao espírito traveller adormecido dentro de cada um de nós. Não é, de todo, o desastre que muitos dizem. Muito menos corroboro a teoria de que se trata de um festim exótico de DiCaprio para validar a sua amplitude dramática (quando na verdade ele é alguém que dispõe de um leque com as mais variadas emoções, senhor de um imenso talento injustamente prejudicado pelo fenómeno Leomania que tardou em se desvanecer).

Enfim, voltemos ao essencial: The Beach é, contas feitas, uma elucubração desencantada sobre a eterna utopia do retorno a um estado natural, alheio a quaisquer restrições das sociedades civis e supostamente longe da perversidade do Mal. Explora-se aqui, com acuidade, o ideal de paraíso que acaba por ser conspurcado pela mão humana, o que conduz inevitavelmente à perda da inocência (e liberdade) daquela realidade tão alternativa. Até esse ponto, o filme é uma parábola vertiginosa sobre o Homem a imiscuir-se na natureza, com o risco acrescido dessa entrega poder conduzir a mente a níveis quase dantescos, tal é o desnorte causado pela perda de coordenadas emocionais e sociais. Exemplo disto é a condição alucinada e alienada de Richard aquando da sua marginalização: nessa altura dá-se um choque entre o universo selvagem da ilha e as influências culturais das sociedades modernas. Esse duelo titânico entre forças distintas converte então Richard numa espécie de action-figure computadorizada e a ilha num espaço virtual, naquela que será porventura uma das cenas mais fabulosas do filme.

Em nota de desabafo: sempre achei curioso o valor simbólico do período em que The Beach foi produzido. Afinal, estávamos prestes a abraçar todas as possibilidades de um novo milénio, mas o imaginário dessa era de apoteose das novas tecnologias teimava em dominar o pensamento de todos aqueles que privilegiavam um estilo de vida mais simples e o mais perto possível do natural. Intencionalmente ou não, o filme acabou por reflectir essa preocupação mais ou menos generalizada...


Classificação: 3,5/5

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Bewitched - Casei com uma Feiticeira (2005)

Truques Esgotados

Nos anos 90, Nora Ephron voou a grande altura com as suas comédias românticas desempoeiradas e francamente deliciosas que muito deviam ao génio urbano-neurótico de Woody Allen. Meg Ryan era então a protagonista dessas películas (que lhe deram a oportunidade de cimentar a sua posição de namoradinha da América), enquanto Ephron geria com savoir-faire a sua condição de argumentista e realizadora de filmes lucrativos de grande estúdio. Mas a magia não está sempre ao nosso lado, e este Bewitched é a confirmação total de que as fórmulas hollywoodescas mais estafadas nem sempre resultam em filmes apelativos.

Bewitched, recorde-se, foi uma série exibida nos EUA na década de 60, na altura carinhosamente acolhida pelo público e desde então estabelecida como uma das referências mais queridas do gigantesco imaginário propagado pela televisão norte-americana. A sitcom era simples, mas doce e apelativa: uma feiticeira casada com um homem normal utilizava os seus poderes mágicos para resolver as mais diversas situações do quotidiano. O filme de Ephron pega nesse conceito e confere-lhe uma roupagem nova, actualizando-o para os dias de hoje.

O argumento gira em torno de Isabel, uma bela e afável feiticeira que se encontra entediada com a sua condição muito particular. Como quer experienciar as vicissitudes de uma vida dita normal (amor incluído), Isabel propõe-se a renegar o seu dom. Nesta altura tão crucial da sua vida ela conhece Jack Wyatt, um actor desesperado por alcançar o sucesso com a sua participação numa nova versão da série Bewitched. Como Isabel consegue imitar na perfeição o "abanar do nariz" popularizado pelo programa, acaba por ser escolhida para contracenar com Jack.

Este até poderia ter sido um daqueles projectos simpáticos, não fosse a atitude de Ephron em querer cumprir a rigor a sua agenda papal do "agradar a gregos e troianos". Esta decisão é logo à partida um mau indício, porque se percebe que aqui não vai haver a mínima vontade de arriscar. Com tanta precaução, Bewitched esbarra de imediato nas suas próprias intenções: não é uma sátira corrosiva aos bastidores do entretenimento de Hollywood, tal como não é uma comédia hilariante sobre a nostalgia da televisão. Como o filme nunca se decide sobre o que quer ser, acaba por naufragar e ir parar a uma terra de nenhures, onde o desinteresse assenta arraiais (o que se assemelha, basicamente, à morte do artista).

Para além de ser insípida e entediante, a fita sofre ainda de uma inocência quase pueril, que certamente não agradará aos públicos ávidos de alguma irreverência temática. O par principal (Nicole Kidman e Will Ferrell) bem tenta dar algum pizzaz às suas personagens, mas estão abandonados à sua própria sorte por força de uma narrativa inconsequente e sem chama. Mesmo a química entre Kidman e Ferrell, certamente o núcleo do filme, não resulta minimamente. Colorido e leve como uma pluma, Bewitched não traz nada de novo ao formato das comédias românticas e nem sequer deixa na memória um ou outro par de cenas mais conseguidas. Esta Nora Ephron tarefeira não conseguiu convencer ninguém...


Classificação: 1/5

quarta-feira, 7 de maio de 2008

A (Re)Descobrir...


The Last Supper - A Última Ceia II (1995): Este filme de Stacy Title é uma iguaria indie de alto gabarito para os apreciadores de humor negro inteligente, polvilhada de uma ponta à outra com pitadinhas de sarcasmo e ironia. Esta é a história de cinco amigos, todos alunos universitários, que partilham uma residência. Certo dia, um deles convida para jantar o desconhecido que lhe dera boleia. À mesa, o grupo de estudantes e o convidado de honra começam a trocar algumas impressões, que cedo culminam numa explosiva guerra de ideais. Resultado: a confrontação física intervém e o convidado acaba morto. A partir daí, aqueles cinco jovens idealistas e liberais decidem organizar jantares com o objectivo de eliminar os defensores de teorias políticas e sociais que eles considerem erradas... O título português contém um apêndice numérico que dá a ideia de que se trata de uma sequela. Errado, é apenas uma nota sarcástica (este filme é a Última Ceia 2 porque a Última Ceia original foi a de Cristo - ahahah!). Um fabuloso conto (a)moral que pode ser visto hoje, no canal Hollywood, às 19h30.

terça-feira, 6 de maio de 2008

TOP Trilogia Running Man

1) Artificial Intelligence: AI - Inteligência Artificial


2) Catch Me If You Can - Apanha-me Se Puderes


3) Minority Report - Relatório Minoritário




segunda-feira, 5 de maio de 2008

Holy Smoke - Fumo Sagrado (1999)

Não há Fumo sem Fogo...

Numa viagem de descoberta existencial pela Índia, Ruth (uma jovem de origem australiana) acaba por integrar uma seita religiosa new age comandada por um influente guru. Preocupados com a nova situação da filha, os pais decidem contratar os serviços de um carismático desprogramador de vítimas de seita, que incorpora na sua bagagem intelectual uma curiosa teoria dos três passos. Quando a família consegue convencer a rapariga a regressar temporariamente ao seio do lar, o desprogramador entra em acção, pronto a recuperar-lhe a essência original. A reunião no deserto entre este homem e esta mulher desagua num duelo de personalidades vincadas e numa luta de afirmação sexual quase selvagem.

Holy Smoke, escrito por Jane Campion (que acumula aqui a função de realizadora) e pela sua irmã Anne, vem no seguimento do sucesso estrondoso de The Piano e do também interessante Portrait of a Lady. Campion tenta mais uma vez impor uma das suas marcas autorais por excelência, ou seja, a verticalidade do feminino perante a presença desafiadora (ou insinuante) do masculino. Holy Smoke, não sendo grande espingarda enquanto filme, acaba por ser o projecto da realizadora onde essa característica mais se percepciona. Este facto ganha maior credibilidade se atentarmos no tom do filme, que dembula sempre num registo de crónica neo-feminista de contornos eróticos, onde a confrontação acérrima dos sexos encontra uma plataforma muito estável. No limite, Holy Smoke funciona como um estudo sobre o desarmamento sexual, onde cada sexo se tenta insurgir da forma mais impositiva possível, seja com o recurso à expressão corporal ou verbal.

Infelizmente, esta fábula contemporânea não está isenta de lacunas. O ritmo que nem sempre se rege pela fluidez e que perde um pouco o pulso da narrativa, dando azo à intervenção não muito simpática da letargia. O leque de personagens secundárias também não funciona por aí além, porque se por um lado acentua a faceta exótica da fita, por outro não é verdadeiramente importante para o desenvolvimento da história. Ainda assim, moram aqui méritos que são inegáveis, até porque no cômputo geral Holy Smoke é provocador o suficiente para colocar em cena as políticas sexuais que inauguraram o novo milénio (recordo que o filme foi produzido em 1999).

No plano das composições dramáticas do par principal é que reside o fascínio desta empreitada: Harvey Keitel e Kate Winslet são simplesmente gigantescos, devorando o ecrã e os seus papéis como poucos. Estes intérpretes de força telúrica impedem constantemente que o filme caia pela ribanceira abaixo e se desmorone em múltiplas peças. A coesão das suas performances é o núcleo que agrega tudo o que resto, permitindo que as mensagens do argumento sejam perpetuadas de forma estimulante. É verdade que o filme é mais odiado que amado (há quem o acuse de ser pretensioso) e dificilmente será alvo de reavalição crítica num futuro próximo, mas merece alguma consideração pela sua coragem. É que, embora não seja muito bom, não deixa de ser interessante.


Classificação: 3/5

sábado, 3 de maio de 2008

Miami Vice (2006)

Os Vícios da Noite

Miami Vice é a adaptação cinematográfica da famosa série homónima dos anos 80, em que uma dupla de agentes de um departamento de crime organizado se movia no sentido de capturar os mais diversos criminosos. Tudo sem esquecer a influência dos ambientes e tendências da altura. Michael Mann, o maestro por detrás de filmes como Heat e Collateral, foi o responsável pela realização do filme, numa decisão que provocou alguma surpresa. De facto, quais terão sido as motivações que levaram um realizador talentoso a actualizar em película um produto que marcou um tempo muito específico? Será que Miami Vice conseguiria equilibrar-se qualitativamente num meio audiovisual tão diferente daquele onde alcançou as suas glórias? Se a resposta à primeira pergunta continua indecifrável, já a segunda está mais que descodificada. O resultado é um falhanço artístico de proporções colossais, que destoa por completo na cinematografia do realizador.

O argumento centra-se numa missão de identificação de um grupo de criminosos, em que se inclui uma elaborada estratégia de transporte de carregamentos de droga. Ricardo Tubbs e Sonny Crockett são, como não podia deixar de ser, os polícias destacados para deslindar as arestas deste mapa de corrupção internacional. Enquanto Crockett se deixa aos poucos enfeitiçar por Isabella (a enigmática mulher de um traficante de armas e droga), Tubbs vê a sua vida pessoal misturar-se com os enleios da sua arena profissional.

É mais que sabido que Michael Mann é um sofisticadíssimo artesão das luzes e dos seus múltiplos contrastes, num jogo que se desenvolve essencialmente na intimidade da noite e onde a captação da dimensão trágica das personagens é um dado adquirido. Ele é um visionário que sabe filmar as facetas da acção como poucos, porque nunca se esquece da importância da inclusão de uma vertente afectiva/emocional nesses domínios (é essa conjugação da acção com a emoção que, em última instância, prende a atenção do espectador) . Notório é também o esforço de revitalização do género policial (que anda um pouco moribundo nestes dias) através do recurso às mais recentes tecnologias de gravação de imagem. Esta opção pelo digital permite que o filme apresente uma componente vertiginosa de quase-reportagem, alargando-se assim os horizontes no que diz respeito ao desenvolvimento da estrutura formal.

Pena é que este nível de idoneidade não se verifique no campo da narrativa. Miami Vice apresenta resoluções muito estafadas (aquela cena de emboscada que engloba uma entrega da pizza então é completamente para esquecer), para além de propagar os estereótipos mais prosaicos neste tipo de intriga. Alguns pontos de interesse são fundidos com tantos outros onde a monotonia se instala e onde o aborrecimento encontra um aconchego. Depois, a questão da química entre a dupla de polícias falha por competo: eles estão lá mas não se sente nenhuma ligação particularmente estimulante, o que é fatal para os propósitos do filme. Ainda para mais, a personagem de Jamie Foxx - o agente Ricardo Tubbs - é tão marginalizada que chega a meter dó. O grande, grande trunfo do filme encontra-se mesmo na beleza da teia amorosa que envolve Colin Farrell e Gong Li. Essa relação condenada ferve de tanto lirismo e é a personificação de um desejo quase proibido e desencantado. Desejo esse que se desenvolve com a cumplicidade de uma banda-sonora carismática...

Infeliz constatação: este é mais um objecto inconsequente, um daqueles tristes exemplos em que a forma se sobrepõe claramente ao conteúdo. Pode ser uma obra muito cool, capaz de agradar a diferentes tipos de público, mas não deixa ser banal. Que este desastre tenha ocorrido numa carreira tão límpida quanto a de Michael Mann, eis a maior das surpresas!



Classificação: 1,5/5

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Summer Of Sam - Verão Escaldante (1999)

Os Pecados Moram ao Lado

Spike Lee tem-se afirmado ao longo da sua carreira como um dos realizadores mais preocupados em integrar as especificidades da cultura americana nas temáticas dos filmes que desenvolve. Sempre atento às mutações da sociedade contemporânea (e dos seus múltiplos intervenientes), Lee tem conseguido criar obras de inegável apelo que extravasam os limites do seu país de origem e que permitem a outras nacionalidades edificar uma noção consistente do tecido social e cultural norte-americano dos últimos tempos. Dito de outro modo: o que o realizador nos dá é toda a complexidade de um jogo dramático em que se propõe que sejamos nós a tirar as devidas ilações. Filmes como Do The Right Thing, 25th Hour, She Hate Me e Girl 6 demonstram essa capacidade inata, revelam o interesse de Spike Lee em captar as convulsões perturbadoras do presente (tendo sempre em linha de conta a sua peculiar veia artística) e mostram ainda que é possível exalar subtileza em temas tão controversos.

Summer Of Sam tem sido, desde o seu lançamento, vítima de alguma indiferença por parte de público e crítica, uma vez que é preterido em relação a outros títulos mais mediáticos da cinematografia de Lee. Curiosa contradição: o mais marginalizado é muito provavelmente um dos melhores (senão o melhor) títulos da carreira do cineasta. Escrito em parceria com Michael Imperioli (um dos protagonistas da série Sopranos) e Victor Colicchio, o filme estreou-se nos EUA em 1999; cá teve honras de exibição em 2000, o que dá vontade de dizer a alto e bom som que se trata de uma das obras-charneira desta década!

O filme passa-se em Nova Iorque, nos idos de 77, durante uma sufocante vaga de calor: um temível serial-killer, auto-intitulado Son Of Sam, diverte-se a apavorar a comunidade local, tudo devido à sua peculiar fixação em assassinar mulheres morenas em espaço público. Perante esta ameaça aterradora, os habitantes do bairro começam a escrutinar as vidas alheias, em busca de indícios que possam conduzir à captura do perturbado homem. Entre esses moradores com os nervos à flor da pele encontram-se Vinnie (um cabeleireiro egocêntrico com tendência para espetar muitas facadinhas no casamento), Donna (a mulher de Vinnie que o ama incondicionalmente e que está assim disposta a virar os olhos às inúmeras traições) e ainda Richie (um grande amigo de Vinnie e um verdadeiro alienígena naquele bairro, cuja personalidade atípica choca com os valores reinantes). Até se chegar à identidade do agressor, o Bronx será o mais explosivo palco de traições, crimes e injustiças.

Apoiado num argumento envolvente e numa cadência frenética, Summer Of Sam é um mosaico social, cultural e psicológico de índole explosiva, que reinventa com grande dose de inteligência o mito de Caim e Abel. O filme é, no limite, um genuíno bailado nocturno de corpos, desejos, inseguranças e medos, devidamente condimentado com os sons, sítios e tendências da época. Spike Lee volta a filmar as ruas, as suas leis intrínsecas e os seus peões como só ele sabe, destrinçando os labirintos de ambiguidades de forte carácter inebriante. Aliada a esta estratégia está uma outra peça fundamental que é o valor simbólico do calor: tal como em Do The Right Thing, esse factor é um dos agentes que despertam a fúria interior das personagens que parecia estar anestesiada. Até o próprio serial-killer assume uma função de gestor da narrativa, já que é ele que "incentiva" as outras personagens à acção e que se relega depois para um segundo plano.

Sem esquecer o look enérgico que se encontra muito próximo de alguns videoclips arty e que é característico do meio publicitário (onde a noção de vertigem está muito enraizada), Spike Lee faz ainda questão de realçar as capacidades performativas do seu soberbo trio de actores: o eterno secundário John Leguizamo brilha a alto nível, Mira Sorvino é um portento de sensualidade e entrega que gostaríamos de ver mais vezes no grande ecrã e Adrien Brody compõe uma espécie de martir que coloca em causa a moral perversa daquela era. Sem papas na língua, digo que este é um dos enormes filmes dos últimos anos, de um senhor da ubiquidade que é também um dos mais influentes retratistas urbanos dos dias que correm!



Classificação: 5/5