sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Will Ferrell: Viciado em Sport-Movies?

- "Talladega Nights: The Ballad of Ricky Bobby" (2006): Piloto de corridas NASCAR


- "Blades Of Glory" (2007): Patinador Artístico


- "Semi-Pro" (2008): Jogador de Basketball

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

No Country For Old Men - Este País Não é Para Velhos (2007)

Uma História de Violência

Começo por confessar que não sou dos maiores fãs da obra dos manos Coen. Admiro-lhes a capacidade de adaptação aos diversos géneros cinematográficos, a tentativa de expressar originalidade naquilo que filmam e de nunca se esquecerem de introduzir as suas características notas satíricas mesmo em cenas dramaticamente complexas. O grande senão é que, com bases tão interessantes, aquilo que os manos edificam acaba por deixar quase sempre uma sensação de que se poderia ter ido mais longe, quer em desenvolvimento humano, quer em aprofundamento das temáticas narrativas. No Country For Old Men é decididamente um bom filme, mas não o consideraria o "filme do ano" tal como a Academia o fez.

O que a dupla Coen nos dá é um conto negro que evoca a mitologia dos westerns clássicos, remetendo para as noções de violência e bem vs mal do passado que se continuam a propagar no presente. O filme é particularmente eficiente na imersão no lado negro da condição humana, onde a perversidade, a ganância e, mais uma vez, a violência se passeiam naturalmente lado a lado. Por seu turno, a moral (que é representada pela personagem de Tommy Lee Jones) está revestida pela desilusão de quem já assistiu a muito e que já não possui grande esperança no Homem. Todos estes contrastes são filmados sob uma atmosfera hiper-tensa, sordidamente tétrica e capaz de colocar o nosso dispositivo dos nervos em constante estado de alarme.

A história, baseada no romance homónimo de Cormac McCarthy, desenrola-se no Texas, nos idos anos 80: enquanto está a caçar, Llewelyn Moss encontra um mala cheia de dinheiro (2 milhões de dólares) e uma carrinha com um carregamento de droga, que resultou de uma operação de tráfico que correu para o torto. Os intervenientes estão dizimados e Moss não perde tempo a tomar posse da mala, que é um petisco bem apetecível. Mal sabe ele é que atrás de si irá Anton Chigurh, um assassino implacável e sádico equipado com uma botija de ar comprimido e crente convicto na aleatoriedade do "cara ou coroa". Nesta batalha entre a presa e o predador, encontra-se a justiça na pele do Xerife Ed Tom Bell , cada vez mais desencantado com a natureza humana. Afinal, num acto que parecia ter todos os ingredientes para ser linear, Moss acaba por desencadear uma onda de violência extrema.

Sem nunca esquecer o humor negro que os caracteriza, os Coen revelam-se dinâmicos na construção de um thriller intenso onde o factor humano é o mais importante. Tommy Lee Jones e Javier Bardem são sem dúvida as peças mais intrigantes deste jogo. No caso do segundo, ele compõe um sinistro assassino com uma ética muito própria e avesso a sentimentalismos. O seu psicótico Anton insinua-se de forma serena, escondendo as suas verdadeiras intenções e aparentando até uma certa elegância obscena. Bardem tem aqui um dos melhores papéis da sua carreira e o Óscar de secundário foi muito merecido. O filme conta ainda com a vitalidade do feminino, muito bem representada por Kelly Macdonald: ela é a pureza e a consciência num mundo de homens insanos pela violência, onde a misoginia é um dado adquirido.

Não sendo uma obra-prima absoluta, No Country For Old Men resulta num filme incendiário que vem uma vez mais comprovar o imenso talento da dupla no campo da realização e na sua arte específica de storytelling. Destaque final para a fotografia, que capta a solidão desencantada das paisagens do interior dos EUA.


Classificação: 4/5

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Juno (2007)

A Idade Da Inocência

Juno, uma comédia com pitadas de drama e autenticada com o selo independente, viu a sorte cruzar-se com a sua trajectória comercial. O filme, escrito pela ex-stripper Diablo Cody e realizado por Jason Reitman (o mesmo de "Obrigado Por Fumar"), tem recebido elogios um pouco por toda a parte e foi agraciado com 4 nomeações para os Óscares (venceu na categoria de Melhor Argumento Original). Este é decididamente o culto indie do ano para muita gente, um pouco à imagem de "Little Miss Sunshine".

Confesso que o acho simpático, com um grande coração e com uma imensa vontade de ser original. Este último factor acaba por funcionar, no entanto, como uma espécie de maldição. É verdade que os diálogos são deliciosos e bem espirituosos (tal como a personalidade da personagem principal), mas quer-me parecer também que reflectem a vontade excessiva do argumento em colocar as suas personagens a debitar pérolas por tudo e por nada. Infelizmente, essa condição retira alguma naturalidade e espontaneidade ao projecto. Juno é desde logo uma fita que não receia a sua faceta offbeat e que muito menos tem problemas em abordar um assunto complicado: o da gravidez na adolescência. De facto, esta história de uma teenager que engravida do seu namorado geek e que decide que a adopção é a melhor solução está bem delineada, consegue ser cómica e comovente e, acima de tudo, tem o cuidado de proporcionar um retrato fiel dos jovens que encaram a sexualidade de uma perspectiva não escatológica. Os grandes problemas, na minha opinião, têm a ver com a inverosimilhança dramática de algumas situações e com o ostracizar de uma personagem que eu diria fundamental: a de Bleeker, o namorado de Juno e pai do bebé. Acontece que a sua importância na história é minimal, aparecendo quase exclusivamente para personificar uma alma nerd alheia a tudo.

Fora isto, chega-se à raíz vital da obra: Ellen Page. Ela eleva Juno para lá das nuvens, com uma interpretação sentida e artisticamente adulta. Para além de encher todo o ecrã com um dinamismo que rouba a atenção do espectador (não se tornando difícil perceber por que razão foi nomeada ao Óscar), a jovem actriz consegue ainda defender com unhas e dentes o papel de uma rapariga que se vê confrontada com uma situação de difícil gestão, ao mesmo tempo em que é quase obrigada a abandonar o seu estatuto de adolescente e a acelerar o processo de crescimento. Outro triunfo é o facto de Juno estar fortemente musicado, com o recurso a uma banda-sonora eminentemente indie e bem-disposta, que se encontra em perfeita sintonia com o espírito do próprio filme.

Não sendo magnífica, esta recente realização de Reitman revela-se humilde o suficiente para merecer a nossa atenção. No final, percebemos que estivemos na presença de um filme coming of age com uma essência muito específica, doce e honesta. E isso já é uma boa razão para nos levar uma sala de cinema o mais rápido possível...


Classificação: 3/5

sábado, 23 de fevereiro de 2008

A (Re)Descobrir...


-
A Passagem Da Noite (2004): Mariana, uma jovem de 17 anos, é violada por um toxicodependente. Mais tarde, ao descobrir que engravidou, decide esconder esse facto de toda a gente, esforçando-se ao máximo por disfarçar a natural transformação do seu corpo. Durante esses meses de pura angústia, a rapariga acaba por fazer a passagem da adolescência para a maturidade. "A Passagem Da Noite", um belo exemplo daquilo de bom que se faz em Portugal em termos cinematográficos, é um drama sóbrio que se desprende dos esquematismos advogados pelas produções televisivas. O filme contém um universo afectivo muito bem construído e evita o terreno da vitimização da personagem principal (Mariana é a determinação em estado puro, é alguém que rejeita categoricamente o sentimento de pena, nunca se entregando ao facilitismo do "choradinho"). Faço justiça a Leonor Seixas, confessando desde já que não conheço o trabalho dela na ficção nacional televisiva. Contudo, a sua interpretação é de uma honestidade tal (e de uma luminosidade também) que torna-se impossível não lhe fazer a devida vénia. De Luís Filipe Rocha, o realizador de "Adeus Pai".

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Fim-de Semana...


- "Almost Famous - Quase Famosos" (2000), Hoje, no Hollywood, às 19h00.

- " The Opposite Of Sex - O Oposto Do Sexo" (1998), Sábado, no AXN, às 18h50.

- "Mighty Aphrodite - Poderosa Afrodite" (1995), Domingo, na RTP1, às 00h45.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Caché - Nada a Esconder (2005)

Família, Mentiras e Vídeo

Que Michael Haneke é um dos mais geniais autores no activo não há dúvidas disso. Que Caché divide as opiniões de forma incisiva também parece-me que não. Vencedor do prémio de realização em Cannes, o filme tem sido alvo de diversas leituras, já que a sua sinuosa construção e o final aparentemente em aberto levam a essa possibilidade. De facto, a filmografia do autor é conhecida por permitir uma pluralidade de interpretações; a dimensão eminentemente pessoal dos seus projectos traduz-se em obras que só são perceptíveis na sua totalidade apenas por quem se der ao esforço de as desconstruir. Mais: a crueldade da câmera do realizador, inquietante e serena na mesma medida, tornam-no uma das faces mais originais do cinema europeu contemporâneo.

Caché é um conto intrigante sobre um casal (Georges e Anne), que subitamente vê a sua existência perturbada pela recepção de vídeos cujas imagens captam o seu quotidiano. Em simultâneo, começam também a surgir desenhos macabros de difícil interpretação. Sentindo-se um joguete nas mãos do anónimo que os observa, o casal começa aos poucos a se desintegrar, deixando vir ao de cima as fragilidades que estão na base da relação. Aliados a esta tragédia pessoal estão os traumas de infância de George, que o voltam a assombrar e que poderão muito bem estar relacionados com toda esta situação enigmática...

O filme é exímio na sua dedicada descrição dos efeitos da culpa e da repressão, enquanto se cerca dos fantasmas que habitam as feridas interiores de uma França com fortes políticas de segregação racial e ávida de redimir o mal de outrora. Aos poucos, Haneke parte do retrato de uma intimidade familiar com intensos problemas de comunicação para traçar um cenário oblíquo da identidade de um país que vive amargurado com as acções do seu passado recente. Assim, chegando à raíz do argumento, Caché mostra as suas verdadeiras guelras, revelando o seu forte subtexto político (que entra em conflito directo com o drama vivido pelas personagens). Haneke tem uma habilidade característica para mexer os cordelinhos das expectativas do espectador (basta reportarmo-nos a Funny Games, que continua a ser o exemplo máximo desta capacidade) e, nessa medida, Caché não foge à regra. O jogo mental começa logo ao início, quando afinal o que estamos a ver não é um acontecimento actual mas sim as imagens de uma gravação. O poder ilusório das imagens, que se alastra na sociedade actual, é algo que perpassa o filme e com uma nota bastante curiosa: há alturas em que não sabemos se determinados cenários estão a ser observados pelos olhos de alguma das personagens ou se são fruto de mais uma gravação de vídeo.

Mais importante do que descobrir a identidade do remetente é analisar o impacto que essa "presença" provocadora despoleta num seio familiar, onde a comunicação parece ser um elemento em desuso e onde a psique de cada um está sempre em análise. O realizador orquestra todas as peças no seu reconhecido modo de "perfeccionista dos pormenores", sem descurar o seu registo clínico e austero (onde a mais brutal e perturbante das imagens é sempre captada com a mais natural das serenidades). Não seria de esperar outro método por parte de Haneke, ele que cada vez mais se posiciona como uma das figuras máximas da arte do voyeurismo perverso, onde as convulsões afectivas atingem píncaros inolvidáveis...

Este não é de todo um filme fácil; tem uma atmosfera densa, complexa e algo derivativa. Além disso, pede muito esforço no coser da lógica da narrativa e parece que não dá resposta às inúmeras questões que levanta. Mas isso é puro engano: basta esperar até ao final para que tudo bata certo. Por isso aqui fica o conselho: olhos bem abertos mesmo até ao fim!


Classificação: 4/5

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Retratos De Amor...



- On Golden Pond - A Casa Do Lago (1981): Ethel e Norman, um casal de meia-idade com um amor de longa data e em repouso na sua casa de Verão, recebe a visita da filha Chelsea (que vem equipada com o seu companheiro e com o filho dele). Esta chegada vai trazer ao de cima os conflitos que sempre estiveram presentes na relação entre pai e filha. "A Casa Do Lago" traça paralelos com a própria relação conturbada entre Jane Fonda e Henry Fonda (pai e filha no filme e na vida real), que conseguiram resolver as suas diferenças ao contracenarem nesta película vencedora de 3 Óscares;

- The Bridges Of Madison County - As Pontes De Madison County (1995): Francesca, uma dona de casa do Iowa, trava conhecimento com um fotógrafo da National Geographic, durante uns dias de ausência do marido e dos filhos. O amor brota e Francesca terá de decidir se parte com o grande amor da sua vida ou se se resigna a uma vida pacata e familiar, vazia de todas as emoções que a completam. Filme absolutamente fulcral para compreender o cinema romântico dos anos 90, "As Pontes de Madison County" relata um amor adulto e fugaz, mas com profundidade suficiente para marcar toda uma vida. Esta continua a ser uma das melhores realizações de Clint Eastwood, que conta aqui com um desempenho larger than life de Meryl Streep (mais um, portanto...);

- Lady Chatterley (2006): Filme baseado num romance de D.H. Lawrence. Lady Constance leva uma existência insípida, monótona, cuidando do marido paralisado na Grande Guerra. Ela começa a apresentar sinais de depressão e a solução para o mal parece estar nos simples passeios pelos bosques que circundam o castelo onde o casal vive. Durante as suas passeatas, Constance cruza-se com o guarda-caça e rapidamente surge um elo romântico que despertará todos os instintos adormecidos da jovem mulher. Uma recente obra do cinema francês, que é ainda uma bela pérola sobre o desejo - com uma excelente interpretação de Marina Hands.