sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Porquê "Elefante"?

"Há uma parábola budista, sobre um grupo de cegos que examinam várias partes de um elefante. Todos eles conseguem descrever a parte que lhes cabe, mas ninguém tem a percepção do todo".

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Elephant - Elefante (2003)


O Liceu Da América

O premiado filme de Gus Van Sant, interpretado na sua maioria por não-actores, é um prodígio de inteligência e contenção. Implanta-se nos terrenos do documentário e seduz pelo low profile que denota, tendo em conta o polémico assunto que aborda. É mais do que sabido que Elephant centra-se no massacre do liceu de Columbine, em que dois jovens entraram no estabelecimento destinados a roubar desalmadamente a vida a colegas e professores. Com uma temática controversa e perturbadora como esta, o realizador poderia ter optado por um filme histriónico e maniqueísta, mas não. E é precisamente aí que Elephant ganha pontos! O argumento assume desde o início uma postura soft e não caracteriza as suas personagens principais (os adolescentes) da forma mais óbvia, dando espaço ao espectador para tentar decifrar o tipo de personalidade e comportamento de cada um deles. Elephant escapa ileso às convenções televisivas sobre jovens estudantes que se lhe podiam colar e sente-se o pulso firme e maduro no tratamento da história e no controlo daquele espaço específico. Tudo é subtil, mas ao mesmo tempo tudo incomoda, pela radicalidade dos sentimentos que despoleta. Apercebemo-nos das diversas mentalidades e acções reinantes naquele liceu, dos medos, tensões e inquietudes e o espectador sabe a tragédia que se irá desenrolar, que consegue chocar sem limites. Aqui não se manipula descaradamente, apenas são revelados indícios que possam explicar o brutal acontecimento, mesmo que no final não se aponte um dedo ou que não se conclua nada de concreto. A saber: a relação dos jovens com a violência, a facilidade de acesso a produtos ou conteúdos com essa carga violenta, o acumular de humilhações por parte de colegas e a consequente marginalização escolar e social,... Mas tudo é focado de forma tão transparente e serena, que nunca se pode dizer que Elephant constitui um panfleto demagógico; mete sim o dedo na ferida sem que se dê por isso. E essa posição subliminar faz deste um brilhante, brilhante filme.


Classificação: 5/5

As Novas Versões...

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Heinz Ketchup ou Como transformar um Ponto Fraco num Ponto Forte



As garrafas de ketchup nunca foram práticas, mas deu-se a volta à questão de uma forma inteligente: o tempo de espera aumenta o desejo de consumo do produto e, consequentemente, contribui para a plena satisfação do consumidor.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

A (Re)Descobrir...

Existem filmes que acabam por cair no esquecimento, por muito bons que sejam. É o caso deste admirável "Ponette" (1996), que apenas vi uma vez na televisão e cujo DVD parece não existir em lado nenhum. "Ponette" conta a história de uma menina de 4 anos que perde a mãe num acidente de automóvel. A criança não consegue lidar com a perda e continua à espera da progenitora, falando com ela e procurando-a. A crença no reencontro é de tal maneira forte que ninguém consegue convencer Ponette de que nunca mais estará com a sua mãe. Este filme de Jacques Doillon retrata brutalmente a dor e a incomunicabilidade, ao mesmo tempo que faz uma aproximação sentida à infância nas suas variadas vertentes. Assombrosa a interpretação da pequena actriz, que com tão tenra idade consegue uma tremenda complexidade. Vencedor da Taça Volpi no Festival de Veneza para Melhor Actriz.