quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Jennifer Connelly e o Cais...

1ª Foto: "Dark City"
2ª Foto: "Requiem For A Dream"
3ª Foto: "House Of Sand And Fog"

Curiosidade Cinéfila: Nos 3 filmes protagonizados por Jennifer Connelly, existe uma sequência em que a actriz se encontra num cais. É, no mínimo, intrigante...

domingo, 30 de dezembro de 2007

Este Blog deseja...

Tudo de bom, para todos!

A (Re)Descobrir...


"Limbo" (1999), de John Sayles, é muito provavelmente um dos melhores filmes do final da década de 90 e, no entanto, permanece no buraco do esquecimento. Concordo quando se referem ao realizador como um "mestre da tapeçaria humana" e em "Limbo" essa expressão aplica-se correctamente. A acção decorre no Alaska e o argumento gira em torno de Joe Gastineau (um pescador traumatizado por um acidente marítimo ocorrido há alguns anos), Donna de Angelo (uma talentosa mas mal-sucedida cantora) e Noelle, a instável filha de Donna. Ambas apaixonam-se por Joe e a relação mãe-filha torna-se ainda mais conflituosa. Durante um passeio de barco pela costa do Alaska, estas três personagens irão ver-se frente a frente com uma situação extrema que lhes poderá custar a vida. "Limbo" faz um aprofundamento quase exaustivo no que diz respeito à caracterização das suas personagens e tem ainda espaço para tecer um comentário social pertinente. O final em aberto joga com as expectativas do espectador e até pode frustrar muita gente, mas no entanto parece ser a solução mais correcta. "Limbo" merece definitivamente ser redescoberto!

sábado, 29 de dezembro de 2007

Away From Her - Longe Dela (2006)

Laços De Ternura

Permitam-me que faça justiça a um belíssimo filme que, em Portugal, foi lançado directamente em DVD. Refiro-me a Away From Her, a primeira experiência de Sarah Polley como realizadora. Este é um drama intimista que revela a profunda história de amor entre Fiona e Grant (um casal de meia-idade com uma relação ternurenta) e a sua luta para enfrentar um problema que aos poucos se começa a apoderar dela: a doença de Alzheimer. O casal chega à conclusão que a solução reside numa instituição especializada e Fiona muda-se para lá definitivamente. Nos primeiros trinta dias, ela não pode receber nenhum tipo de visitas (incluindo as do marido) e esse período de tempo revelar-se fulcral, pois Fiona vê a sua condição médica agravar-se num ápice. Quando chega o dia da visita de Grant, Fiona já não o reconhece e toda a sua atenção parece estar centrada num outro doente, com quem estabeleceu laços de amizade muito íntimos. Por amor à mulher e à sua total felicidade, Grant está disposto a cumprir um doloroso sacrifício.

Away From Her é uma primeira obra de enlevada delicadeza que roça a perfeição artística! Polley consegue revelar, com muito realismo, os vários efeitos da doença de Alzheimer e não tem quaisquer preconceitos em retratar um amor de longa data, onde se vislumbram sentimentos tão nobres como a lealdade, a perseverança e o altruísmo. O filme está imbuído de sobriedade e elegância e concentra duas interpretações verdadeiramente notáveis (a cargo de Julie Christie e Gordon Pinsent). Tiro o chapéu a Sarah Polley por ter arriscado tanto e por ter sido capaz de atingir um resultado tão espantoso, de fazer inveja a muito realizador experiente. Verdade seja dita, do alto dos seus 28 anos, a realizadora revela uma maturidade e perspicácia de pasmar. Acredito que o tempo fará justiça a esta obra desprotegida, mas plena de sensibilidade.


Classificação: 4,5/5

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Redacted - Censurado (2007)

Uma Verdade Inconveniente

Redacted é um projecto experimental que se baseia livremente nos acontecimentos verídicos que tiveram lugar no Iraque, no ano passado, aquando da presença militar norte-americana. O filme centra-se num diminuto grupo de soldados americanos (responsáveis por um tenso posto de controlo naquele território) que, entre inúmeras atrocidades, violaram e assassinaram uma jovem de 15 anos e tentaram mascarar a verdade de forma revoltante.

Redacted foi realizado pelo nem sempre regular Brian De Palma e está tematicamente muito próximo de uma outra obra do realizador, o selvagem Corações De Aço (em que um grupo de soldados americanos, liderados pela personagem de Sean Penn, raptava, violava e assassinava uma jovem vietnamita), mas fora isso é todo um outro campeonato. O filme assenta num registo de falso-documentário hi-tech ou reportagem ficcionada (as imagens que vemos são captadas pelos próprios elementos do grupo de soldados ou pelos diversos media que fazem a cobertura da situação), elevando o realismo e a crueza de todo aquele cenário.

A narrativa é magnífica no facto de colocar em cena todas as dinâmicas de grupo, a metodologia do processo jornalístico e ainda por lançar um curioso foco sobre a dimensão e relevância das novas tecnologias de comunicação e informação. Outra das competentes estratégias de Redacted reside na forma como ilustra eficientemente as diferentes perspectivas sobre aquele caso concreto e revela os diversos níveis de formatação das notícias e respectiva difusão à escala global.

Brian De Palma demonstra coragem na vontade de atiçar consciências e de não jogar pelo seguro. No fim de contas,acaba por realizar um filme emocionalmente desafiador (é um murro no estômago e um atestado anti-guerra e pró-verdade, que apresenta os panoramas devastadores que ocorrem nesse contexto, independentemente da génese do conflito e das nacionalidades envolvidas) e assustador (na medida em que se refere a acontecimentos ainda muito presentes na memória colectiva e no facto de abordar frontal e satiricamente a facilidade da manipulação dos mecanismos da verdade), afastando-se assim de alguma da mediocridade que o estava a contaminar nos seus últimos esforços criativos.

Esta obra formalmente transgressora assume-se como um verdadeiro triunfo artístico que também remexe o intelecto, abrindo as portas para o diálogo pós-visionamento. Em suma, outra obra-chave deste ano cinematográfico que não está a ser tão mau como querem fazer crer!


Classificação: 5/5

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Retratos de Obsessão...



- "Death In Venice/ Morte A Venezia - Morte Em Veneza" (1971): O majestoso filme de Luchino Visconti relata o percurso de dilaceração física e mental de um compositor de renome, que se dirige a Veneza para encontrar um período de paz e reflexão. Aí chegado, o artista rapidamente nutre uma inquietante obsessão por um adolescente que personifica um raro ideal de beleza e sedução. Ao mesmo tempo, Veneza torna-se o palco principal da propagação de uma destruidora maleita... "Morte Em Veneza" é um prodígio a todos os níveis e um dos melhores filmes a retratar o tema da obsessão (neste caso, a obsessão por uma beleza fria e inatingível, com o poder de corromper). É uma obra elegante, que se coloca facilmente no panteão das fitas ultra-depressivas, mas emocionalmente estimulantes. Com Dirk Bogarde;

- "Vertigo - A Mulher Que Viveu Duas Vezes" (1958): A obra-prima de Alfred Hitchcock é uma alucinante espiral de decadência psicológica e romantismo desesperado! O filme conta a odisseia de um detective reformado (e acrofóbico) que se apaixona perdidamente pela enigmática mulher que está a investigar. Ela acaba por morrer de forma trágica e, a partir desse momento, o detective deixa-se enlear numa mirabolante teia de mentiras, desilusões e traições, que conduzirão a situações extremas. Aqui a obsessão é romântica e fortemente sexual (se bem que ilustrada de forma muito subtil). Com James Stewart e Kim Novak;

- "Le Grand Bleu - Vertigem Azul" (1988): Filme absolutamente notável do realizador francês Luc Besson, que descreve a extrema obsessão por esse imenso mundo que é o Mar. O argumento centra-se na rivalidade entre dois homens que partilham a mesma paixão pelo mergulho. No meio está a mulher que se encontra apaixonada por um deles, apesar de saber que ficará sempre em segundo lugar quando comparada com o universo aquático. O filme é algo simplista nas suas linhas narrativas, mas isso pouca importância tem quando se percebe que o seu ponto forte reside exactamente no impacto da poesia visual que destila. É uma obra vertiginosa e de uma beleza inesquecível, uma autêntica experiência sensorial. Com Jean Reno, Rosanna Arquette e Jean-Marc Barr.

Charlie e a Fábrica de Chocolate, de Tim Burton

Hoje, RTP1, 22H25.