Está em curso a "IX Festa do Teatro", em Setúbal. A organização está a cargo da companhia Teatro Estúdio Fonte Nova e conta-se com a presença de diversas companhias de teatro portuguesas e também com uma vinda directamente da Galiza. O evento irá decorrer por vários locais da cidade e incluem-se quer as peças de foro mais intimistas, quer as representações em cenários de rua.sexta-feira, 31 de agosto de 2007
IX Festa do Teatro, em Setúbal
Está em curso a "IX Festa do Teatro", em Setúbal. A organização está a cargo da companhia Teatro Estúdio Fonte Nova e conta-se com a presença de diversas companhias de teatro portuguesas e também com uma vinda directamente da Galiza. O evento irá decorrer por vários locais da cidade e incluem-se quer as peças de foro mais intimistas, quer as representações em cenários de rua.quinta-feira, 30 de agosto de 2007
"A Caverna", José Saramago
José Saramago sofre do mesmo problema que um Manoel de Oliveira: o seu trabalho é extremamente subvalorizado na sua pátria. Posto isto, devo confessar que estou a adorar ler este livro do nosso prémio Nobel, "A Caverna". Claro que a estrutura narrativa não é convencional, mas isso já todos sabemos. Este belo romance traça o devastador impacto das actuais economias sobre as economias mais tradicionais e actualiza o mito da caverna de Platão. Consegue ainda ser um fascinante estudo sobre uma idade avançada e já sem grande esperança e também sobre a inquietação dos estados de alma. Soberbo...quarta-feira, 29 de agosto de 2007
O Percurso de um Filme...
A rapidez com que o filme "A Rainha" foi comprado pela nossa televisão pública, que o irá exibir já este Domingo, coloca algumas questões pertinentes relativamente ao actual percurso que os filmes trilham. É sabido que estamos em vésperas do 10º aniversário da morte da Princesa Diana, tornando-se relevante a exibição da fita de Stephen Frears, mas pergunto-me se tal decisão não será prejudicial para o trajecto comercial de um filme que, ainda recentemente, saiu em DVD. Claro que esta questão não interessa às televisões (que apenas querem obter os direitos de exibição dos títulos e transmiti-los quando bem lhes apetecer) nem aos espectadores (que saem obviamente a ganhar com estas decisões, pois neste caso podem ver uma obra muito recente e premiada pela Academia de Hollywood). Mas penso no tal percurso dos filmes: após a sua conclusão, são incluídos (ou não) nos circuitos dos festivais de cinema; se algumas distribuidoras se mostrarem interessadas, são comprados e lançados nas salas; após sairem destas, segue-se a inevitável edição em DVD para aluguer em videoclubes; poucos meses depois formula-se o DVD para ser comercializado nos diversos pontos de venda. Entretanto, foram apresentados em "feiras" exclusivamente dedicadas aos negócios da programação televisiva (as tais onde se podem adquirir também séries, formatos de entretenimento,...), onde as inúmeras estações de televisão de todo o mundo vão seleccionar e comprar os seus conteúdos. Esta trajectória é fundamental para a vida das obras, principalmente para os filmes independentes que vivem não só do sucesso comercial nas salas, mas sobretudo de todas as etapas do processo. Acredito que se deve explorar ao máximo as potencialidades de cada fase. Ainda para mais, numa altura em que o cinema não vive os seus melhores dias em termos económicos, creio que estas estratégias devem ser muito bem pensadas e amplamente discutidas...
terça-feira, 28 de agosto de 2007
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Babel (2006)

As Fronteiras da Comunicação
Brilhante conclusão da famosa Trilogia da Dor! O que apreendemos em "Babel" é que as nossas fronteiras individuais e familiares tendem a ser infinitamente mais devastadoras e implacáveis do que aquilo que se julga e que a incomunicabilidade ganha um peso difícil de suportar. Nesta aldeia de proporções cada vez mais globais, estão-se a esfumar os mais valiosos laços que nos unem uns aos outros, no aqui e agora. Refiro-me às relações entre pais e filhos, que neste filme assumem o papel de destaque e revelam que, independentemente das culturas, credos e nacionalidades, essas uniões necessitam de uma intensa e honesta comunicação por forma a não se desvanecerem. Não são só as fronteiras físicas que irremediavelmente nos vão afastando: são principalmente as nossas identidades, mágoas e os limites que traçamos que nos impedem de um contacto mais que desejado, tornando quase impossível esse desespero de transmitir o que nos vai no âmago. A incomunicabilidade torna-se o pólo caracterizador das relações que se estabelecem no filme (o casal americano em viagem por Marrocos e em vias de ruptura; a adolescente japonesa surda-muda que usa a sua sexualidade para se expressar e que tenta desesperadamente alcançar o seu distante pai; a babysitter mexicana que rompeu com o seu passado e que tentou edificar a sua vida noutro contexto, até se ver confrontada com um inacreditável incidente fronteiriço; e a paupérrima família marroquina, em particular as crianças, que acabam por iniciar a tragédia que irá interligar todas estas personagens em conflito interior) e, no entanto, a consciência desse facto levará também à confirmação da importância que o amor ocupa nesta vida. A dor existencial existe, mas é passível de ser amenizada com um breve toque, com um meigo abraço e com todo o amor inquestionável. É isto que estas personagens anseiam e que Alejandro González Iñárritu tão bem capta, tirando partindo de uma excelente equipa técnica e de um elenco também ele bastante diversificado (americanos, mexicanos, japoneses, marroquinos, a australiana Cate Blanchett,...). No fim de contas, a universalidade do amor e da dor está muito bem retratada num grande, grande filme!
Classificação: 5/5
sábado, 25 de agosto de 2007
21 Grams - 21 Gramas (2003)

O Peso Da Alma
Um trágico acidente reúne três pessoas cujas vidas já passaram por momentos extremamente turbulentos. Cristina (Naomi Watts) ganhou as forças suficientes para fugir do submundo das drogas e do álcool e constituiu uma família bastante estável; Paul (Sean Penn), um matemático, vive dilacerado pela sua grave doença cardíaca e por uma relação que já viveu melhores dias; Jack (Benicio Del Toro) lá conseguiu encaminhar a sua existência, depois de ter sido preso, e agora já só quer levar um rumo pacífico com os seus filhos e esposa, seguindo-se quase fanaticamente pelos parâmetros religiosos. Mas como já disse, um terrível acidente colocará estas almas em estado de colisão, fazendo então com que os sentimentos de dor, culpa e vingança venham à tona. "21 Gramas" vem na sequência do aclamado filme "Amor Cão" e faz parte da "Trilogia da Morte" (sendo que a etapa conclusiva cabe a "Babel"). Este filme apoia-se numa realização virtuosa e numa estrutura narrativa fragmentada, que é sempre uma opção muito interessante e que joga com a habilidade do espectador: muitas vezes sabemos antes das personagens o que irá acontecer; outras, são-nos apresentadas cenas que não compreendemos imediatamente, mas que farão todo o sentido mais à frente na narrativa. É uma forma sempre original de se contar uma história mas, sinceramente, mesmo que o realizador tivesse optado pela forma clássica de realização, o argumento não perderia por isso e o impacto teria sido idêntico. É um filme extremamente depressivo, mas também belo e com alguns focos de esperança para aquelas personagens, principalmente lá para o fim. Nos momentos de maior vulnerabilidade, estas 3 pessoas quase que ganham uma dimensão angelical e somos conquistados por essa mágica sensibilidade. Está-se perante uma incrível jornada de dor e fé, de quem já desceu às trevas mas que mesmo assim de lá conseguiu ressurgir. Tudo aqui se conjuga perfeitamente, criando uma fita de inegável beleza e frontalidade, com superlativas interpretações de espantosos actores.
Classificação: 5/5
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